Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 05/11/2021
O projeto de lei 2006/21, que regulamenta a atividade dos agentes de reciclagem, é considerado um avanço na proteção desses profissionais. Isso porque, ainda que socialmente importantes, os catadores de materiais recicláveis diariamente enfrentam desafios como a negligência governamental e o preconceito social. Diante dessa perspectiva, torna-se crucial analisar esses desafios enquanto se espera a aprovação desse documento e as devidas correções das distorções.
A princípio, é imperioso notar que a indigência do Estado potencializa os desafios enfrentados pelos catadores. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descrevem como presentes na sociedade, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, esses profissionais estãos desprotegidos e expostos às mais diversas condições insalubres, com riscos ergonômicos e de acidentes com materiais perfuro-cortantes, conforme noticiado pelo jornal O Globo. Nessa perspectiva, para a completa refutação do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal efetiva.
Outrossim, é igualmente preciso apontar o preconceito de classe como fator que contribui para a manutenção dos desafios enfrentados pelos catadores. Posto isso, de acordo com a escritora Sylmara Gonçalves-Dias no livro “Catadores e espaços de (in)visibilidades”, devido à aparência suja e de mexerem com lixos e puxarem carroças são socialmente marginalizados e tratados como inferiores. Além disso, de acordo com pesquisas realizadas pela Universidade Estadual da Paraíba, a rejeição social reflete diretamente na autoestima desses trabalhadores e justifica os elevados índices de alcoolismo entre eles. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar os desafios enfrentados pelos catadores de lixo. Dessarte, a fim de melhorar as condições de trabalho e reduzir as estatísticas de acidentes, é preciso que o Ministério do Trabalho e Previdência - por intermédio das associações de catadores e organizações não governamentais - viabilize a aquisição de equipamentos para coleta e manuseio seguro de resíduos, tais como luvas, botas, óculos e máscaras. Paralelamente, é imperativa a utilização das mídias eletrônicas para realizar campanhas publicitárias com relatos pessoais e desestigmatize a profissão de catador. Espera-se, assim, estabelecer uma sociedade protetiva em relação aos seus cidadãos.