Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 12/01/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê em seu artigo 6 o direito à educação como inerente a todos os cidadãos brasileiros. Conquanto, tal prerrogativa, não tem se reverberado na prática quando se observa os árduos desafios dos professores em tempos de quarentena, dificultando, deste modo, a universalização desse direito tão importante. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do descaso estatal, mas também devido ao analfabetismo digital dos docentes.
Em primeiro plano, deve-se resssaltar a ausência de medidas governamentais para superar os desafios enfrentados pelos professores na quarentena. Nesse sentido, o Estado não se mobilizou para facilitar a dinâmica das aulas remotas, além disso não se foi criado um plano para a continuidade dessas aulas nas escolas públicas e nehuma plataforma digital para dar suporte aos profissionais da educação. Com isso, milhares de alunos foram prejudicados, ficando semestres atrasados. Essa conjuntura, seguindo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Governo não cumpre sua função de garantir que a população desfrute de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar o analfabetismo digital dos docentes como dificultador dos desafios dos professores em tempos de quarentena. De acordo com pesquisas da USP, cerca de 30% dos profissionais alegam se sentir inaptos a conduzir as aulas remotamente. Diante de tal exposto, entende-se que esses não estavam preparados para a situação de necessidade de reclusão e considerável parcela não está habituada a utilizar ferramentas digitais. Essa inaptidão tecnológica dificultou o ofício das aulas digitais, os educadores estavam em suas casas sem nimguém para auxilia-los e os discentes do outro lado da tela também não estavam ambientados com as ferramentas de ensino a distância. Tal junção de fatores tornou as aulas no tempo da pandemia improdutivas e extremamentes cansativas e penosas para os educadores. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se superar esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, em conjunto do Ministério da Educação, integre os professores no mundo virtual. Isso, mediante a disponibilização de cursos de informática voltados a educadores, usando uma linguagem de fácil compreensão para esse grupo, ensinando-os a usar as principais ferramentas educacionais do mundo digital. Tudo isso, a fim de que todos os alunos possam usufruir de aulas consistentes e produtivas, mesmo durante a quarentena.