Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 26/11/2020
O escritor Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido às perseguições nazistas na Europa. Nesse contexto, o escritor foi recebido e criou a obra “Brasil, o país do futuro”. Contudo, de maneira lastimável, o desafio do professor em plena pandemia não vai de encontro ao texto descrito na obra. Sob esse aspecto, dois fatores são relevantes: a falta de ajuda pública e o individualismo pessoal. Com isso, convém ser analisadas as consequências de tal postura negligente para a sociedade.
Em primeiro plano, é preciso atentar-se para o espelho venerável presente na questão. Segundo o filósofo grego Aristóteles, “a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade”. No entanto, observa-se que, desde a colonização do país, o ensino público não tem favorecido a todos os cidadãos, haja vista que, apesar de que o Governo tenha adquirido o ensino EAD (ensino a distância) durante a pandemia e crise econômica, muitos alunos e professores não tem o material necessário para poder ensinar ou aprender, tendo como consequência, o pouco aprendizado dos alunos e grandes desafios para os responsáveis por ensinar.
Outrossim, a falta de empatia pelo próximo ainda é um grande impasse para resolução da problemática. Na obra “Modernidade líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade do Brasil, no que tange ao ensino a distância. Essa liquidez, que influi sobre a carência dos brasileiros em relação a diversidade, funciona como um forte empecilho para resolução, tendo em vista que, mesmo que muitos jovens e crianças que tenham internet e aparelhos eletrônicos em casa, poucos dão a importância de participar das aulas virtuais, causando assim, o abandono sobre as aulas e ensinos, perdendo, então, um ano de aprendizado, afirma a USP (Universidade de São Paulo).
Portanto, para que a diversidade comece a fazer parte da sociedade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Logo, é necessário que famílias, em parcerias com as prefeituras das cidades, exijam o cumprimento do direito constitucional para os dependentes de computadores e outros aparelhos eletrônicos que auxiliem no estudo. Essa exigência deve ser por meio de greves e reclamações coletivas, com descrição de quem sofre ou sofreu com o problema a fim de que a mudança seja construída no país. Além disso, escolas devem ser abertas para os públicos mais necessitados ao estudo, seja jovens, crianças ou professores. Desse modo, todos os cidadãos atuarão ativamente na mudança da realidade brasileira.