Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 10/11/2020
De acordo com o pedagogo Paulo Freire, o que muda o mundo não é a educação e sim o fato dela mudar as pessoas, as quais passam a agir em prol de renovar sua circunvizinhança. Essa óptica, foi revertida hodiernamente em meio à pandemia do covid-19, devido à quarentena, visto que, não é o ensino que está pressionando a mudança do meio e sim o contexto atual que suplica por mudanças nos métodos de ensino. Essa responsabilidade educativa recai sobre os professores, os quais enfrentam principalmente os desafios de lidar com infraestruturas deficitárias e de reinventar-se em meio a “tempos líquidos”, no intuito de não deixar o contexto prejudicar o aprendizado dos estudantes.
É relevante ressaltar, primeiramente, que a falta de suporte físico e psicológico, como o acesso às aulas em ambientes adequados, incentivo à disciplina e acompanhamento psíquico, disponibilizados aos alunos, faz com que o educador tenha que desvincular-se de sua profissão, para cumprir também papeis que deveriam pertencer à família e ao Estado. Quanto a isso, o filósofo Michel Foucault afirma que o ser humano é uma construção “biopsicosocial”, ou seja, a instituição escolar não pode formar completamente um indivíduo, pois ela atua apenas no pilar social e essa é a grande preocupação do profissional educativo. Logo, a falta de infraestruturas materiais e imateriais, culmina no desgaste do professor que além de dar aulas, dá ,fora do horário, conselhos e apoio tentando formar bons cidadãos.
Além disso, é notório o árduo processo adaptativo que os docentes têm passado e além de adaptar-se precisam inovar seus métodos de ensino, para atrair ainda mais a atenção dos alunos, já que o meio “biopsico” não é favorável, mesmo com o tempo escasso. Prova dessa dificuldade adaptativa é que apenas nas redes de São Paulo cerca de 55 mil instrutores sentiram-se afetados com a pandemia, segundo dados do INEP, visto que, há, por exemplo, aulas que necessitariam ser presenciais para uma boa compreensão, como sutura e instalações elétricas, e tem lecionadores que não sabem mexer em certas plataformas tecnológicas. Culminando, assim, na problemática atual.
Portanto, diante dos desafios enfrentados pelos professores durante a quarentena, é imperativo que o Estado e a Família os auxiliem na educação dos cidadãos.. Para isso o Ministério das Finanças deve disponibilizar verbas, para os alunos carentes, suficientes para suprir necessidades biológicas, como alimentação e higiene, além de disponibilizar meios deles assistirem as aulas e acompanhamento psicológico para todos os estudantes, visando cessar o desgaste do educador. Ademais, o Ministério da Educação, deve entregar um manual aos professores de como prosseguir com aulas que precisariam ser presenciais e como utilizar os diversos aparatos tecnológicos, visando facilitar a rotina do professor e dar equilíbrio ao sistema educacional em meio aos “tempos líquidos” da quarentena.