Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 06/11/2020
Ulysses Guimarães, político brasileiro, ao discursar sobre a Constituição de 1988, chamou-a de “Cidadã” devido à ênfase dada aos direitos dos cidadãos do Brasil. Nesse sentido, prevê-se, no Artigo 23º, a promoção de meios de acesso à educação, enquanto direito fundamental ao bem-estar da população. Entretanto, tal conjuntura fica restrita à Lei Maior, pois a falta de capacitação profissional tecnológica e a desigualdade de acesso ao ensino remoto alicerçam desafios aos professores em períodos de quarentena. Em face disso, são necessárias medidas que atenuem a problemática.
A princípio, verifica-se que a carência de qualificação dos professores no uso de tecnologias dificulta o fomento educacional. Nesse contexto, segundo o educador Paulo Freire, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção. Sob tal ótica, a ausência de prévio auxílio no uso de plataformas digitais e recursos audiovisuais demonstra a escassez de investimentos nos principais agentes da educação e, por conseguinte, tolhe o ensino. Em suma, o desamparo à adaptação ao ensino remoto e às novas formas de ensinar representa descaso com os profissionais e reduz as oportunidades pedagógicas.
Outrossim, convém ressaltar a desigualdade de acesso ao ensino como entrave à atuação dos professores. Nesse contexto, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que as escolas funcionam como espaço de reprodução das desigualdades sociais, ou seja, existe uma correlação entre as disparidades escolares e sociais. Nessa lógica, o pluralismo socioeconômico dos alunos desafia a ação didática, uma vez que a falta de internet, apoio familiar e base tecnológica obstaculiza a ação de educar. Logo, a pandemia não só e dificultou a relação entre alunos e professores, como também acentuou as desigualdades.
Urge, portanto, que estratégias sejam adotadas para mitigar obstáculos do período pandêmico. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, instância máxima da administração dos aspectos educacionais, em parceria com empresas privadas da área tecnológica, oferecer aulas de capacitação aos professores no uso de ferramentas digitais e plataformas “online”, para que possam ser desenvolvidas as atividades necessárias à aprendizagem. Ademais, convém a sociedade civil organizada promover a arrecadação de doações de computadores e assinaturas de internet com o fito de auxiliar o contato entre discentes e docentes. Assim, a Constituição “Cidadã” será seguida na prática e o trabalho do professor tornar-se-á menos árduo.