Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 01/11/2020
De acordo com o filósofo grego Platão, em sua obra “A República’’, os indivíduos deveriam viver com justiça, o que contemplaria a necessidade de todos na sociedade. Contudo, hodiernamente, os desafios encontrados pelos professores na quarentena têm contrariado o raciocínio do antigo pensador, posto que atos deliberados e imorais têm acometido a integridade de muitos cidadãos. Dito isso, a desigualdade social e as dificuldades de aprendizagem são pontos que valem ser destacados.
Diante desse cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que os desafios encontrados pelos professores refletem os costumes estabelecidos em um certo período histórico. Sobre isso, o filósofo Pierre Bourdieu dizia que os contextos vivenciados pela população estão associados com a perpetuação de valores na sociedade. Nesse ínterim, a desigualdade socioeconômica entre os cidadãos mostra-se relacionada a essa situação, o que tem impedido o acesso de muitos alunos, principalmente os mais carentes, às aulas administradas em determinados aparelhos digitais, como computadores e celulares. Tal contexto denota, por conseguinte, um quadro de caos que precisa ser contornado, já que a crise institucional vigente no país devido à pandemia, como a educacional e a financeira, elevou a taxa de evasão escolar em mais de 40% no ano de 2020, segundo o site G1.
Além disso, as dificuldades relacionadas à aprendizagem expõem os desafios encontrados pelos docentes na quarentena. Isso ocorre porque, conforme o filósofo Aristóteles, os indivíduos necessitam de métodos empíricos para a obtenção plena do conhecimento. Nessa ótica, o distanciamento físico dos estudantes aos espaços de metodologias ativas, como em salas de laboratórios, impede a integralidade na captação de informações, o que tem gerado um aprendizado insuficiente para o mercado de trabalho por não ser possível o raciocínio prático. Desse modo, urge o combate desse panorama, já que 85% dos professores paulistas, por exemplo, não aprovam o ensino à distância, de acordo com pesquisas realizadas pela Universidade de São Paulo.
Portanto, é indiscutível a atuação do Ministério da Educação nesse panorama. Assim, essa instituição deve disponibilizar aparelhos digitais, como computadores, a todos os estudantes carentes, por meio do redimensionamento do PIB nacional para a compra dessas ferramentas e do cadastramento, feito por fiscais, dos cidadãos que necessitam de suportes financeiros, a fim de facilitar e de garantir o acesso dos indivíduos aos meios promotores de conhecimento. Ademais, o Estado, por intermédio de leis, deve flexibilizar o ensino nos espaços físicos das instituições escolares, sendo isso com rodízios entre os alunos e com equipamentos de proteção, tendo o fito de não prejudicar a aprendizagem baseada nos métodos ativos. Dessa forma, a justiça platônica poderá ser efetivada.