Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 16/10/2020
Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, defende um projeto de libertação do homem da opressão e da massificação através de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o homem deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual tem-se a questão dos desafios dos professores em tempos de quarentena, o que revela como a sociedade hodierna ainda tem uma longa trajetória para se atingir um mundo social mais equilibrado.
O meio técnico científico informacional, resultado da Terceira Revolução Industrial e comentado pelo geógrafo Milton Santos trouxe consigo diversos avanços tecnológicos para a atualidade. Paradoxalmente ao fato analisado, ainda há muitos impasses para seu acesso de maneira igual à sociedade. Desse modo obtemos problemas na efetivação do “homeschooling”, maneira de ensino domiciliar que está sendo necessária em meio a pandemia de covid-19 como o não conhecimento necessário de ferramentas online de ensino, falta de metodologia para estudo e grande desistência de crianças e adolescentes no estudo, sendo assim, a educação à distância torna-se excludente.
Deprendem-se diversas consequências dessa problemática aos professores como sentimento de angústia, depressão e incapacidade. Em uma entrevista realizada pelo site “G1”, 30% dos educadores disseram se sentirem afetados de alguma maneira. Dessa forma, há o ferimento do Artigo 6º da Constituição Federal Brasileira, que garante à todos direitos sociais como a educação e saúde.
Feita essa análise, fica evidente a necessidade de ações promotoras de mudanças coletivas. Para isso, é necessário que a Educação, como instrumento de metamorfose social, atue conjuntamente à associações de bairros e escolas, promovendo palestras ensinando acerca do uso de plataformas digitais, de modo a permitir o conhecimento dos recursos à todos. Ademais, é imprescindível que o Estado, como gestor administrativo, destine recursos para amparo online de professores e escolas que necessitem, afim de reduzir a diferença de ensino entre escolas. Somente assim poderemos guiar os passos humanos na direção de um mundo com mais dignidade e respeito às diferenças proposto por Adorno, com menores desafios dos professores em tempos de pandemia.