Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 02/04/2023
O livro “Silent Spring”, publicado em 1962, foi uma das primeiras obras a alertar o público sobre os efeitos prejudiciais de compostos químicos no meio ambiente. Na realidade contemporânea, esse alerta se concretizou em diversas regiões do Brasil, uma vez que a inserção de produtos não naturais em zonas verdes pode causar efeitos negativos, como a degradação da fauna e da flora. Na Amazônia, atividades como mineração e agricultura são responsáveis pela introdução de substâncias danosas ao ecossistema, resultando na destruição gradual das áreas florestais.
Nesse sentido, de acordo com um relatório da ONG WWF-Brasil, a mineração ilegal de ouro na floresta Amazônica está causando níveis alarmantes de contaminação por mercúrio nos rios da região. Segundo o relatório, cerca de 90 toneladas do metal são lançadas anualmente em suas águas. Os animais fluviais são os primeiros a sofrer com a poluição; muitos morrem e os que foram apenas contaminados causarão doenças cardiovasculares e renais ao organismo humano dos que se alimentarem deles no futuro, devido ao alto índice da substância tóxica em seu corpo.
Além disso, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, entre agosto de 2019 e julho de 2020, a Amazônia perdeu 11.088 km² de área florestal, o que representa um aumento de 9,5% em relação ao período anterior. Grande parte da exploração dessa região se deve ao crescimento da agricultura, que queima hectares da floresta com o intuito de nivelar o terreno e plantar por cima, liberando grandes quantidades de gases poluentes no processo. Esses gases contribuem para o efeito estufa e representam uma ameaça para a saúde das populações locais.
Por fim, torna-se urgente a ação do Ministério do Meio Ambiente, com o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, no sentido de contribuir para a existência de uma regulamentação mais rigorosa da exploração da flora brasileira para fins comerciais. Deveriam ser estabelecidos critérios ambientais mais rigorosos para a concessão de licenças e autorizações, o que reduziria o excedente negativo de extrações e, consequentemente, o descarte de materiais tóxicos. Poderiam ser contratados profissionais que atuassem como seguranças de pontos estratégicos para evitar a mineração em áreas proibidas, coibindo o garimpo ilegal. No que diz respeito às queimadas, cabe ao Congresso Nacional desenvolver projetos de leis que visem impor limites para o uso do fogo, além de exigir métodos alternativos, porém sustentáveis, para que a agricultura exerça sua função.