Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 11/01/2021

A animação estadunidense “Wall-E” denuncia o calamitoso estado no qual encontra-se a Terra após inúmeros processos de desgaste oriundos da exploração capitalista sobre essa, explicitando o descompasso entre os interesses da humanidade e a resiliência do solo, da fauna e da flora. Desse modo, é perceptível a relevância de observar-se os vieses cabíveis a fim de impedir que tais excessos exploratórios, especialmente no tocante à natureza, sejam reproduzidos no Brasil.

A Revolução Agrícola, ocorrida no período neolítico, causou impactos na relação que os seres humanos haviam desenvolvido, até então, com a natureza; a percepção da possibilidade de domesticação do solo e das espécies vegetais levou a avanços significativos na alimentação e na qualidade de vida ao desenvolver-se o modo de vida sedentário, isto é, assentado. Igualmente, o agronegócio beneficiou-se desses avanços ao maximizar lucros advindos da expansão das fronteiras da agricultura e da pecuária, porém utilizando ferramentas danosas justamente ao meio de cultura, a terra. Defensivos agrícolas, mais conhecidos como agrotóxicos, e manobras como as queimadas, contribuem com o avanço alarmante do processo de desertificação do Brasil, especialmente em regiões como a Amazônia e o Cerrado, e explicitam a irresponsabilidade no manejo desse setor.

Não obstante, é necessária a análise fisiológica dos seres humanos submetidos ao contato com os elementos transformadores do meio. Os supramencionados defensores agrícolas, bem como as fumaças oriundas dos processos de queimadas, reduzem significativamente a qualidade de vida dos brasileiros, uma vez que apresentam componentes tóxicos e cancerígenos, danosos aos organismos humano, animal e vegetal - os dois últimos, inclusive, frequentemente consumidos pelas famílias, magnificando o processo de contaminação. Assim, deve-se lembrar da Carta Magna brasileira, a Constituição Federal de 1988, na qual, em seu artigo 186º, é explicitada a função social da terra, devendo ela servir ao bem-estar da população e não aos interesses capitalistas, tornando inconstitucionais os abusos percebidos.

Portanto, urge a necessidade de medidas atenuantes dos constantes desgastes sofridos pela natureza a fim de afastar a presente realidade brasileira do preocupante futuro apresentado pelo filme “Wall-E”, introdutoriamente mencionado. O Ministério da Agricultura, juntamente ao chefe do Governo Federal, deve, em regime de urgência, revogar medidas permissivas dos defensores agrícolas por meio de decretos presidenciais, de modo a frear os meios de contaminação da natureza e garantir a saúde e a conservação dos elementos de fauna e flora presentes nos biomas brasileiros. Desse modo, conservar-se-á a função social e cidadã da terra, bem como a saúde de todos os seres vivos impactados.