Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 15/12/2020

O cantor Gonzaguinha, com a música “Xote Ecológico”, denuncia no verso “eu não consigo respirar, a terra está morrendo” o estado calamitoso no qual encontra-se a natureza brasileira, explicitando o descompasso entre os interesses da humanidade e a resiliência do solo, da fauna e da flora. Assim, percebe-se a relevância da observação dos vieses cabíveis a fim de impedir que maiores danos sejam causados ao meio ambiente.

A Revolução Agrícola, ocorrida no período neolítico, causou impactos na relação que os seres humanos haviam desenvolvido com a natureza até então; a percepção da possibilidade de domesticação do solo e das espécies vegetais significou avanços significativos na alimentação e na qualidade de vida. Igualmente, o agronegócio beneficiou-se desses avanços maximizando lucros advindos da expansão das fronteiras da agricultura e da pecuária, porém utilizando ferramentas danosas justamente ao meio de cultura, a terra. Defensivos agrícolas - isto é, agrotóxicos - e manobras como as queimadas, contribuem com o avanço alarmante do processo de desertificação do Brasil, especialmente em regiões como a Amazônia e o Cerrado, explicitando a responsabilidade ignorada por esse setor.

Não obstante, ainda é necessária a análise fisiológica dos seres humanos submetidos ao contato com tais elementos transformadores do meio. Os supramencionados defensores agrícolas, bem como as fumaças oriundas dos processos de queimadas, reduzem significativamente a qualidade de vida dos brasileiros, uma vez que apresentam componentes tóxicos e cancerígenos, danosos aos organismos humano e animal, o último frequentemente consumido pelas famílias, medida essa que intensifica o processo de contaminação. Contudo, diante do exposto, deve-se lembrar da Carta Magna brasileira, a Constituição Federal de 1988, na qual, em seu artigo 186º, é explicita a função social da terra, devendo ela servir ao bem-estar da população e não aos interesses capitalistas, tornando inconstitucionais os abusos percebidos.

Portanto, urge a necessidade de medidas atenuantes dos constantes desgastes sofridos pela natureza a fim de afastar a realidade do apresentado pelo cantor Gonzaguinha, introdutoriamente mencionado. O Ministério da Agricultura, juntamente ao chefe do Governo Federal, deve, em regime de urgência, revogar medidas permissivas dos defensores agrícolas por meio de decretos presidenciais de modo a frear os meios de contaminação da natureza e garantir a saúde e a conservação dos elementos de fauna e flora presentes nos biomas brasileiros. Desse modo, conservar-se-á a função social e cidadã da terra, bem como a saúde de todos os seres vivos impactados.