Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente
Enviada em 07/12/2020
Na obra “A República”, de Platão, o filósofo grego idealiza a primeira concepção de sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, fora da ficção, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto o que o escrito prega, uma vez que o dilema entre o homem e o meio ambiente apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos objetivos do autor. Diante disso, deve-se analisar como a consumismo e o descaso do governo provocam tal problemática no país.
Em primeiro plano, o consumismo é o principal responsável por esse imbróglio. De acordo com o filósofo Byung Chul-Han, a sociedade vigente é movida pelo desempenho laboral e pela autoexploração, assim, o consumo apresenta-se como forma de aliviar as inquietações resultantes desse quadro e alternativa para uma felicidade imediata. Então, na medida em que, o estímulo à compra denota-se magnificado, existirá uma demanda dos meios industriais influenciadas pelo consumismo, funcionando como fator adicional à exploração do meio ambiente e recursos naturais. Por consequência, segundo dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente, o desmatamento em 2020 subiu, comparado com o ano anterior, em 74% e a degradação, 1.382% na Amazônia.
Outrossim, o descaso governamental colabora para essa mazela. Segundo Hannah Arendt, em ‘‘A Banalidade do Mal’’, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. Diante dessa perspectiva, problemas como a utilização cada vez maior dos recursos naturais, que florescem em virtude da supremacia de interesses financeiros, encaixam-se nessa pespectiva, visto que, apesar da existência de leis que protegem o ecossistema e puni infratores, não há um legitima fiscalização para que tais leis se cumpram, por causa da reduzida atuação do Estado em busca de assegurar os limites que garantam o uso sustentável, para uma proteção eficiente do meio ambiente. Nesse sentido, é preciso olhar os problemas como uma veracidade para que possam ser efetivamente combatidas.
Portanto, é necessário que ONG’s especializadas no assunto, em parceria com o governo federal, promova, por meio de verbas governamentais, palestras sobre o tema, que devem ser disponibilizadas nas redes sociais e divulgadas nos grandes meios de comunicação, com o objetivo de abordar o impacto do consumismo à consolidação da exploração da natureza e sugerir métodos alternativos de consumo, a fim de que não intensifiquem a degradação ambiental. Ademais, o Ministério da Justiça, deve aplicar sansões penais mais severas juntamente com aumento da fiscalização para prevenção de crimes ambientais. Desse modo atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto deletério desse problema, e a coletividade alcançará a essência da República de Platão.