Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 12/06/2020

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere à relação problemática entre o homem e o meio ambiente, sendo o ser humano responsável por inúmeros desastres ambientais. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para melhorar esse péssimo convívio, que possui como causas: a base educacional lacunar e a insuficiência legal.

Em primeiro plano, é notório que o sistema educacional falha no que diz respeito ao ensino sobre os impactos ambientais gerados pelo homem. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. Dessa forma, no que tange à relação do ser humano com o ambiente, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que ajam na resolução da questão. Portanto, a negligência do sistema de ensino no que concerne a preservação da natureza é uma causa latente dos problemas ambientais gerados pelo homem.

Ademais, o comportamento vicioso do ser humano sobre a natureza encontra terreno fértil na ineficiência de leis ambientais. Nesse contexto, Maquiavel defendeu que “Mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes”. A perspectiva do filósofo aponta para uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a criação da lei em si pode resolver problemas complexos como a questão do relacionamento entre o homem e o meio ambiente. Assim, o que verifica-se é uma insuficiência da legislação, se esta não vier atrelada à políticas públicas que ajam na base cultural do problema, dificultando sua resolução.

Torna-se evidente, então, que é indispensável uma ação para alterar a conduta do homem diante do meio ambiente. Sendo assim, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do meio ambiente, promova, para professores das redes pública e privada, cursos sobre como abordar conflitos ambientais na sala de aula. Tais cursos devem ser gratuitos e digitais, ensinando diferentes ferramentas e métodos para que os professores possam discutir questões como a preservação da natureza atualmente. Essa medida será tomada no intuito de que consiga-se, assim, propor diferentes soluções em conjunto com os alunos.  A partir dessas ações, espera-se promover a construção de um Brasil melhor.