Os desafios da relação entre o homem e o meio ambiente

Enviada em 05/04/2019

No filme “Os Simpsons”, produzido pela Fox, o personagem Homer deposita um silo preenchido com fezes de porco em um rio. Apesar de soar cômico, é com esse mesmo descaso cruel que o ser humano, ao visar o progresso, gere os recursos do meio ambiente, o que custa ao planeta a destruição de diversos ecossistemas. Sob essa perspectiva, a culpa da problemática reside tanto na reificação da natureza, quanto na falha legislação ambiental do Brasil.

Cabe apontar, primeiro, a tendência humana a ver recursos naturais como um simples meio para o “progresso”. Concernente à essa visão, o filósofo Martin Heidegger afirma que ações antrópicas contra a natureza tiram dela a sua essência, e assim, seu valor. Nesse sentido, há descaso com a proteção do meio ambiente, uma vez que se visa apenas o lucro e assim, baixam-se os gastos e corta a segurança. Por consequência, há catástrofes, como a ocorrida em Minas Gerais: o rompimento de barragens mineradoras, por comportarem uma infraestrutura ultrapassada, mas menos custosas quando comparadas às mais modernas e seguras. O problema é que, uma outra despesa surge: vidas humanas.

Outrossim, o segundo fator que contribui para a problemática é, sem dúvidas, a a permissividade da jurisdição ambiental brasileira. Sob esse viés, em 2017, a burocracia jurídica ecológica foi flexibilizada. Dessa forma, corporações garantem a liberdade de comprometer o meio ambiente, como com o despejo de dejetos em rios e de dióxido de carbono no ar. Essas atitudes vergonhosas prejudicam a integridade do planeta. Esse infeliz panorama vai de encontro com a ética da responsabilidade de Hans Jonas, de que é preciso garantir vida humana futura autêntica. Destarte, o suposto progresso humano custará o futuro de todo o planeta.

Urge, portanto, que o poder legislativo, pressionado pelo Ministério do Meio Ambiente, exija a transparência de processos referentes à segurança humana e do ecossistema, por meio da divulgação de dados de empresas como a Vale, a fim de zelar pelo planeta e evitar, assim, desastres ambientais. Ademais, é dever do Ministério Público, aprimorar a fiscalização da conduta das leis ambientais, aplicando sanções severas para aqueles que as desobedeçam. Dessa forma, a negligência cômica ficará restrita aos cartoons.