Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 28/05/2018

Segundo o Artigo 5º da Constituição Federal Brasileira de 1988, é garantido a todos cidadãos o direito de ir e vir. Entretanto, o déficit encontrado no sistema de mobilidade urbana brasileiro, além do alto custo nas tarifas dos transportes coletivos e os contantes engarrafamentos nas grandes cidades, demonstram a dificuldade encontrada pelos cidadãos dos quatro cantos do país em conseguir exercer os seus direitos constitucionais. Dessa forma, faz-se necessário analisar, de forma mais profunda, as raízes desse problema.

Em primeiro plano, é inegável que o  Plano de Metas de Juscelino Kubitschek foi de suma importância na fundamentação do sistema de transporte utilizado no Brasil. Isso porque com a política de avançar cinquenta anos em cinco, o governo realizou medidas desenvolvimentistas responsáveis por promover um avanço industrial capaz de atrair o investimento de grandes empresas automobilísticas para o país. Dentro desta perspectiva, foi fundamental que se desenvolvesse o transporte rodoviário, principal modal no sistema logístico brasileiro na atualidade, e que se incentivasse a compra e a utilização diárias de automóveis privados.

Com efeito, tal posicionamento colaborou para a ausência de outros modais para diversificar a estrutura de mobilidade urbana e, consequentemente, para que o transporte rodoviário fosse utilizado até o seu extremo. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 57% das viagens são percorridas pelos transportes públicos, sendo a maioria feitas principalmente por ônibus. Ainda assim, nota-se pelas viagens sempre superlotadas mostradas em reportagens de diversos canais televisivos que sua disponibilidade é insuficiente para suprir as necessidades da população. Desse modo, não somente são oferecidos serviços de má qualidade como consomem cerca de 49% do tempo desses passageiros

Urge, portanto, a necessidade de adoções de novas políticas para que haja a melhoria do sistema de transporte vigente no país. O Ministério dos Transportes poderia investir na construção de pedágios, em parceria público-privadas, para carros de passeio nas regiões centrais da cidade, a fim de diminuir a quantidade de veículos nas rodovias. Ademais, deveriam estimular o uso compartilhado de automóveis e incentivar as empresas a oferecerem benefícios econômico-financeiro para os que o fizerem. Espera-se, assim, minimizar as dificuldades encontradas por aqueles que precisam se locomover pelas centros urbanos para garantir o direito de ir e vir.