Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/11/2017

Para o presidente do Brasil, Washington Luís, governar era abrir estradas. Já para Juscelino Kubistchek, ser chefe de Estado era importar bens de consumo duráveis, como automóveis. No entanto, embora pareça que esses dois governantes tenham completado a obra um do outro, a precária mobilidade urbana atual do país revela o oposto. Nesse cenário caótico gerado por políticas insuficientes, debater acerca das consequências a modernização desordenada faz-se imperativo.

Em primeira análise, vale pontuar que o tráfego é o principal prejudicado no contexto de crescimento urbano desorganizado, desrespeitando as leis constitucionais. O trânsito diário nas grandes cidades e os inúmeros acidentes envolvendo veículos expõem tal máxima. Desse modo, nota-se que política rodoviarista é exígua diante da frota de automóveis circulantes, prejudicando o cumprimento da atual Constituição Federal, que assegura o direito de ir e vir a toda população, já que as horas perdidas em engarrafamentos impedem a mobilidade eficaz da sociedade, exibindo, assim, o caos urbano derivado do precário planejamento de infraestrutura urbana.

Ademais, convém ressaltar que a nação também se acomete com a grande quantidade de carros e motos circulantes, em espacial no que tange à saúde. O Brasil emite cerca de 75 milhões de toneladas de gás carbônico por ano, somente com uso destinado a combustíveis para veículos, conforme o jornal “O Globo”. Sob essa perspectiva, é notório seu prejuízo à saúde da população, já que esse composto é tóxico e colabora para o efeito estufa e o destruição da camada de ozônio, expondo, então, os cidadãos a maior incidência de raios que podem provocar mutações gênicas e formação de tumores. Dessa maneira, é incontrovertível que as medidas realizadas de modo irresponsável pelos antigos governantes supracitados têm potencial para desestruturar a população.

Logo, é inquestionável que o equilíbrio entre urbanização, modernização e saúde da população seja atingido para garantir a eficácia na mobilidade urbana. Para isso, o Estado, em papel do poder Executivo, deve investir e ampliar em escala nacional, por meio de parcerias com os municípios, projetos já existentes, como o rodízio de carros em São Paulo, que proíbe a circulação de veículos periodicamente, diminuindo a frota de automóveis circulantes nas cidades durante os horários com maior ocorrência de engarrafamento, amenizando, dessa forma, o trânsito. Assim, o direito de ir e vir será preservado. Além disso, cabe ao Governo Federal, com auxílio da mídia e do Ministério da Propaganda, estimular a adoção do transporte coletivo por meio de campanhas públicas, conscientizando a população acerca dos benefícios que essa prática teria para a saúde coletiva e individual, já que diminui a emissão de gases poluentes, assegurando o transporte e bem estar social.