Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 29/10/2017
É indubitável que em uma época na qual se preze pela qualidade de vida, a discussão sobre a questão da mobilidade urbana torna-se fundamental. No Brasil, um dos principais fatores que fazem desta um problema, foi a política rodoviarista implantada durante o governo JK e continuada durante o período da ditadura militar, em que apenas o modal rodoviário recebeu investimentos, provocando um afunilamento nos deslocamentos pelo território nacional. Essa constatação exige uma reflexão sobre os principais aspectos que causam esse verdadeiro caos na vida de milhões de brasileiros diariamente.
Em primeira instância, deve-se ressaltar como uma ideia difundida no imaginário popular contribui diretamente para essa precária mobilidade urbana no país. Sob a ótica dos fatos sociais propostos por Durkheim, em que os interesses coletivos sobrepõem-se sobre os individuais, pode-se observar que surge, para o senso comum, a ideia de possuir um carro como sinônimo de poder e “status social”. Esse fato, aliado aos inúmeros incentivos do Estado na hora de adquirir um veículo, colaboram significativamente para o aumento de transportes individuais circulando nas ruas, consequentemente, gerando problemas gravíssimos para a população das grandes cidades, como engarrafamentos quilométricos e problemas respiratórios devido o aumento da emissão de gases poluentes.
Falta de segurança, superlotação, inconstância nos horários, altos custos das passagens. Esses são apenas alguns fatores de repulsão apresentados pelos transportes públicos no país, afastando cada vez mais a sociedade dos mesmos. Nesse contexto, torna-se válido ressaltar a ineficácia do Estado, uma vez que caberia a este cumprir o Art.5 da constituição, onde consta o direito ao transporte para a população. Porém, sabe-se que na prática esse direito não é cumprido, só utilizando os transportes públicos aqueles que não possuem nenhuma outra opção.
Diante do exposto, fica clara a necessidade de uma intervenção na questão da mobilidade urbana no Brasil. Por isso, cabe ao Ministério dos transportes, através de parceiras público-privadas, aumentar significativamente o número de transportes de massa no país, visando diminuir o problema da superlotação, aumentando o conforto nas viagens e, consequentemente, atrair a população para esses transportes, diminuindo o congestionamento nas ruas. Além disso, compete ao Governo Federal, por meio de parcerias com a mídia, a criação de comerciais televisivos que incentivem o uso de modais alternativos, como a bicicleta, diminuindo o intenso número de carros nas ruas e, simultaneamente, reduzindo os impactos ambientais causados pelos mesmos, garantindo uma melhor qualidade de vida para a sociedade.