Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 28/10/2017
É possível afirmar que a mobilidade urbana no Brasil tem sérios problemas e caminha a passos longos para um estado crítico. Isso se evidencia não só pelo crescimento desordenado das cidades e pelo forte incentivo à indústria automobilística desde o governo JK, como também, pela precarização do transporte público.
A formação das metrópoles brasileiras é marcada pela intensa migração de pessoas de todas as regiões do país(o que ocasionou o crescimento desordenado das mesmas), mas também, por uma política rodoviarista, a qual culminou em grandes problemas ao tecido social urbano na atualidade. Essa política foi incentivada pela entrada no Brasil de empresas do ramo automobilístico, durante a presidência de Juscelino Kubitschek, como parte do Plano de Metas dos “50 em 5”.
Em razão disso, grande foi a promoção midiática do automóvel, tornando-o objeto de desejo de todas as camadas sociais. Entretanto, hoje as cidades não possuem estrutura satisfatória para o tráfego fluido do crescente número de carros. O que faz com que a maior parte da sociedade urbana passe horas em congestionamentos diários - esse tempo perdido pode chegar ao equivalente a 45 dias, dado de pesquisa divulgada pelo Mundo Educação que se refere aos paulistanos.
Ademais, tem-se observado que essas horas perdidas ao volante podem gerar problemas de saúde como stress e enxaqueca, o que interfere na qualidade de vida das pessoas. Além disso, geram problemas ambientais visto que a maioria dos carros consome combustível fóssil, o que contribui para o aumento no buraco da camada de ozônio – intensificando assim o efeito estufa, as altas temperaturas e outros problemas ambientais que afetam tanto quem vive no espaço urbano quanto no rural.
Sendo assim, cabe ao Estado desenvolver uma política de incentivo à utilização dos transportes públicos, estabelecendo metas municipais para a implantação e/ou melhora na estrutura física de VLTs(veículo leve sobre trilhos), metrôs e ônibus, bem como, de suas estações e rotas, visando melhorar a qualidade de vida dos já usuários e atrair novos. Além disso, o Poder Público deve criar propagandas em todas as esferas midiáticas que alertem sobre os efeitos negativos da escolha de transporte privado e noticiem a respeito das melhorias significativas nos coletivos, fazendo com que o uso desses deixe de ser calamitoso e por necessidade e se torne por opção sustentável, minimizando assim os efeitos da política juscelinista.