Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 26/10/2017
É de conhecimento geral a péssima condição do trânsito, principalmente nas grandes cidades, fato que evidencia cada vez mais questões acerca da mobilidade urbana no Brasil. A falta de um plano de investimentos sólido e contínuo em transportes fez com que o transporte público coletivo se tornasse caro e ineficiente, não atendendo de maneira eficaz a necessidade de mobilidade de uma parcela considerável da população. Nesse contexto, a diversificação no setor de transporte constitui uma luz no fim do túnel, para assegurar um deslocamento eficiente através do território nacional.
É inegável que o brasileiro gasta muito tempo no trânsito, sobretudo nas grandes metrópoles, uma vez que, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em 10 das principais regiões metropolitanas do país, entre 1992 e 2009, ocorreu um aumento no tempo médio de deslocamento no trajeto de casa para o trabalho. Tais dados revelam de maneira consistente o inchaço observado nas rodovias pelo excesso de veículos, o que se explica pela histórica valorização do modal rodoviário de transporte, bem como o incentivo ao desenvolvimento da indústria automobilística e a carência de planejamento em formas alternativas de transporte público.
Dessa maneira, a valorização do transporte rodoviário em detrimento de outros modelos, tais como o ferroviário e o hidroviário, deixa a população sem alternativas para se deslocar através de grandes distâncias de maneira eficiente, tendo de recorrer à estradas congestionadas. Entretanto, observa-se no extenso domínio territorial brasileiro uma enorme variedade de relevos, o que abre um leque de possibilidades para explorar diferentes modelos de mobilidade urbana, cada qual mais adequado para determinada região. De fato, urbanistas defendem que a diversificação nos transportes é a melhor maneira de otimizar o deslocamento de pessoas e bens ao longo do território nacional.
Assim, estar restrito a uma política essencialmente rodoviarista representa uma patologia social. Para se ter uma ideia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente em 2013, mais de 41 mil pessoas perderam a vida no trânsito brasileiro. Dessa forma, diversificar as opções de transporte público colabora para o desafogamento das estradas e rodovias, melhorando assim as condições de tráfego urbano e também colabora para uma redução no número de acidentes fatais.
Portanto, é preciso investir em maneiras alternativas de se deslocar ao longo do território nacional. Isso pode ser feito em uma articulação do Poder Público e do Ministério dos Transportes para investir em modelos distintos de mobilidade, tais como o ferroviário, o hidroviário e a construção de ciclovias e bicicletários nos centros urbanos. Aliado a isso, o Ministério da Educação pode iniciar uma política de conscientização nas escolas e na comunidade adjacente acerca dos benefícios da diversificação.