Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 24/10/2017

“A vida já é curta e nós a encurtamos ainda mais desperdiçando o tempo”. A frase dita pelo escritor francês Victor Hugo é capaz de elucidar a realidade da mobilidade urbana no Brasil. Os desafios enfrentados diariamente pelos cidadãos, principalmente nas grandes cidades, são consequências da baixa qualidade dos transportes públicos, além da prevalência do modelo rodoviário em detrimento dos demais sistemas logísticos existentes.

O alto fluxo de carros nas metrópoles do país está diretamente vinculado a aspectos históricos como o projeto desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubitschek, que, a partir da década de cinquenta, incentivou a compra de automóveis pela classe média brasileira, logo, favoreceu a expansão abrupta na frota de veículos. Em contrapartida, o déficit em investimentos nos transportes coletivos aliado a insuficiente segurança oferecida ao passageiro, manteve o consumo, inclusive entre a classe baixa no Brasil, a partir da facilidade de adquirir o produto.

Outrossim, segundo o Departamento Nacional de Transportes Terrestres (DNIT), a matriz rodoviária corresponde a maior modalidade em vigor no país, em vista de seu menor custo de implantação, porém de maior manutenção, o que provoca o agravamento de congestionamentos em várias rodovias, principalmente devido ao uso de caminhões, um dos fatores da lentidão nas vias e de aumento da poluição atmosférica.

Dessa forma, é necessária a melhoria da mobilidade urbana, por meio da prioridade oferecida  pelos Estados e municípios ao transporte público, com investimentos na qualidade e segurança. Por conseguinte, a adoção de um sistema de bilhete único através de um crédito mensal que proporcione facilidade de escolha e economia ao passageiro é bastante útil. O Ministério dos Transportes também deverá implementar em seus projetos a ampliação de outros sistemas: hidroviário, ferroviário, a fim de diversificar a já existente malha brasileira, para assim, não desperdiçarmos nosso tão precioso tempo, como afirmou Victor Hugo.