Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 27/10/2017
O Brasil vivenciou seu maior período de crescimento urbano durante a Era Vargas e o governo de JK devido ao crescente processo de industrialização e criação de direitos para os trabalhadores urbanos. Porém, devido a falta de planejamento para receber a população migrante, uma estrutura espacial polarizada foi sendo instaurada, e a macrocefalia urbana foi acentuada, atingindo o projeto de mobilidade urbana.
Diferentemente dos países ricos, o Brasil, teve um crescimento natural e não planejado de suas cidades. O resultado disso foi uma segregação socioespacial onde a população mais abastada localizou-se próximo ao centro e a população de classe média/baixa foi escanteada para a zona periférica. Sob esse viés, a população mais pobre e a localização de oferta e demanda de empregos localizaram-se de lados opostos e distantes à ambos, e isso aumentou a necessidade de transportes. Porém devido à deficiência na qualidade e na imprevisibilidade de horário dos transportes coletivos, o sentimento de insegurança quanto a permanência no emprego começou a acentuar.
Nesse contexto, o transporte particular tornou-se uma alternativa, chegando aos olhos da população como um facilitador. Horas de sono perdidas e refeições adiadas deixariam, supostamente, de fazer parte da rotina de trabalho. Porém, devido a utilização em massa desse tipo de transporte, o inchaço de ruas e avenidas e o caos urbano passaram a fazer parte do cotidiano, dificultando a mobilidade não só de transportes coletivos, mas também de transportes individuais. Além disso, problemas como poluição sonora e o aumento de CO2 liberado, comprometeram, não somente a vivência social, mas também a acentuação de problemas ambientais.
Por fim, percebe-se que a estrutura socioespacial é uma das principais dificuldades à mobilidade urbana. Para atenuar tais fatores, faz-se necessário que o governo aumente impostos sobre os transportes particulares e incentive o uso de transportes coletivos por meio do barateamento das passagens, aumento da demanda e pontos de parada, aumentando a frequência da circulação desses modais. Ademais, a mídia pode conscientizar os cidadãos mostrando os impactos ambientais e urbanos promovidos pela utilização de grandes massas de automóveis.