Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 10/10/2017
A mobilidade urbana nos grandes centros metropolitanos é um problema intrínseco à realidade brasileira. Dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística afirmam que um milhão de pessoas demoram mais de duas horas para chegar ao seu destino diariamente. Nesse sentido, embora existam medidas que combatam essa problemática, como o alargamento de vias públicas, o grande período de tempo gasto na locomoção cotidiana denota a ineficácia dessas medidas, seja pela presença de uma sociedade que valoriza o consumo, seja pela precariedade do transporte público.
Em uma primeira instância, é indubitável afirmar que um corpo civil que associa renda à prestígio corrobora esse impasse. Com base nessa concepção, o paradigma epistemológico de Karl Marx - sobretudo em sua tese do Fetichismo de Mercadoria - afirma que muitos produtos são consumidos para gerar uma representatividade social, de modo que ele transcende seu preço comercial e adquire um valor simbólico. Dessa forma, a tentativa populacional de obter importância na sociedade, por meio do poder de compra, faz com que muitos indivíduos consumam veículos excessivamente, de maneira que as rodovias nacionais fiquem superlotadas e impeçam a mobilidade nos centros urbanos. Logo, a perpetuação desse panorama pode acarretar consequências prejudiciais ao convívio social, como o aumento da violência nas estradas, devido ao estresse proporcionado pela lentidão nas ruas.
Ademais, sistemas de locomoção ineficazes, certamente, intensificam o problema. De fato, a estrutura do transporte público no Brasil se encontra em um estado deficitário, visto que não há investimento governamental. Nessa perspectiva, a ineficiência da condução coletiva fomenta o costume de utilizar carros particulares para a realização das tarefas diárias - uma vez que é mais prático e confortável -, promovendo, portanto, o aumento do número de automóveis nas estradas. Por conseguinte, a permanência desse quadro causa a superlotação rodoviária e impede a circulação plena do cidadão, evidenciando a urgência de resolução dessa problemática.
Desse modo, uma sociedade que valoriza o consumo, em paralelo com a ineficácia do transporte público, consubstancia o impasse. Entende-se, portanto, que é dever do Governo Federal liberar repasses financeiros ás Secretarias de Educação, a fim de que seja possível o investimento em aulas e palestras que desmitifiquem o atual padrão de importância no meio social, de modo que os jovens compreendam desvinculação de prestígio e renda, reduzindo a compra de veículos e melhorando o tráfego. Além disso, as Instâncias Executivas devem proporcionar suporte financeiro para as Secretarias de Transporte, com o objetivo de investir na estrutura da condução coletiva, diminuindo o interesse por carros particulares e reduzindo o número de automóveis. Assim, com base nesses atos, um futuro melhor será redesenhado.