Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 09/10/2017
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No limiar do século XXI, é incontrovertível que a questão de ir e vir na sociedade é um desafio para países em desenvolvimento devido ao seu crescimento desordenado. Nesse sentido, a mobilidade urbana é um dos instrumentos decisivos para que a acessibilidade aos bens urbanos na cidadania se efetive.
A problemática do trânsito agravou-se nas últimas décadas graças à concentração de pessoas nas cidades, à falta de planejamento urbano e aos incentivos à indústria automotora. Sob essa ótica, segundo o relatório Estado das Cidades da América Latina e Caribe, 80% da população latino-americana vive em centros urbanos e cerca de 65 milhões habitam em metrópoles com São Paulo e Cidade do México. Diante disso, a crise da mobilidade urbana acontece com o aumento contínuo da população sem o acompanhamento de urbanização e infraestrutura para a resolução de questões como moradia e transporte.
Ademais, o direito à cidade é um dos maiores direitos das sociedades modernas, pois é a pólis que condiciona as formas de mobilidade e propicia o acesso ao capital social, cultural e econômico. Partindo desse viés, para o Antropólogo Roberto DaMatta, no Brasil pouco se discute como a liberdade individual de ter um veículo diminui a liberdade social de deslocar-se com estradas superlotadas. Desse modo, os movimentos e protestos populares a que o Brasil assistiu nos meses de junho e julho de 2013 trouxeram à tona a questão da má qualidade da mobilidade urbana e da acessibilidade, que vão além de transportes e funcionalidade da esfera urbana.
Destarte, compreender que os problemas estão conectados é a questão-chave para perceber que a mobilidade urbana influi sobre as cidades brasileiras. Nessa perspectiva, é necessário melhorar a qualidade dos transportes coletivos e incentivar o transporte não motorizado. Isso se dará através do Estado, melhorando a infraestrutura das cidades, ampliando ciclovias e adotando pedágios, e com o apoio de setores públicos e privados de transportes, desenvolvendo hidrovias como outro meio de transporte e com o aumento da demanda de transportes sustentáveis. Assim, será possível pensar e desenvolver de forma plena a conexão entre cidadania e mobilidade.