Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 26/10/2017
A invenção dos automóveis revolucionou a humanidade ao tornar a locomoção mais rápida, mais confortável e mais segura. Entretanto, no Brasil, essas benesses se perdem em meio à engarrafamentos, à acidentes e à falta de infraestrutura. Nesse sentido, os dilemas enfrentados no trânsito decorrem não só de políticas públicas mal planejadas, mas também pela má condição do transporte público.
O ex-presidente Juscelino Kubitschek, na década de 1950, foi o pioneiro em políticas públicas de trânsito que incentivavam a indústria de automóveis particulares. Essa visão, ainda que equivocada, está em projetos atuais que prezam pela oferta de veículos próprios em detrimento do incentivo aos meios coletivos de transporte. Esse equivoco é constatado em dados como o da Agência Nacional de Transporte Público, que mostra a desvantagem do uso e incentivo à meios particulares já que, em horário de pico, por exemplo, dois carros levam em media menos de 2 pessoas cada, enquanto um ônibus que ocupa o espaço dos dois carros leva 80 pessoas.
A baixa qualidade do transporte público brasileiro é uma critica comum a maioria dos usuários diários do sistema público de transporte, já que as cenas de desrespeito ao consumidor se repetem em todo o país. Nessa direção, é recorrente a falta de infraestrutura, como a ausência de pontos de ônibus com assentos e sem proteção contra sol e chuva para recepção dos usuários. Além dos riscos da falta de manutenção de alguns transportes. Essa ausência de manutenção ocasiona tragédias, como a do Bonde de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, no qual devido a falta de manutenção preventiva por parte da empresa responsável houve a perda de freios do veículo o que resultou em vítimas fatais e muitos feridos.
Portanto, é indubitável que os dilemas da mobilidade precisam ser resolvidos não só pela formulação de políticas públicas eficientes, mas através da melhoria da infraestrutura do transporte público. É necessário que o Ministério das Cidades, através do DNIT, crie conselhos estaduais formados por especialistas em transito e engenheiros de tráfego para análise dos impactos de projetos públicos de transito e a sua viabilidade de aplicação. Além disso, é necessário que as câmaras de vereadores municipais e o Ministério Público Estadual criem comissões para investigar a qualidade do serviço entregue aos usuários de ônibus e outros transportes coletivos, na infraestrutura e na manutenção dos veículos, para penalização das empresas infratoras e consequente melhora nos serviços ofertados.