Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 05/10/2017

Ao longo do processo de desenvolvimento do Estado Nacional, a adoção de certas estratégias socioeconômicas acabou por tornar prioritário o modal de transporte rodoviário, não somente na implantação de infraestrutura apropriada, mas também de indústrias específicas. No que tange à modernidade, devido à expansão de tal fenômeno, identifica-se a problemática da mobilidade urbana, que persiste intrinsecamente relacionada à sociedade, seja pela incessante apologia midiática, seja pelo inexorável consumismo presente no sistema capitalista.

É indubitável que a influência exercida pela mídia em suas programações atua de maneira cabal à glamourização da posse de veículos. Nesse sentido, a aquisição de automóveis, principalmente, passa a ser demonstrada como obrigação aos cidadãos, de modo que o mesmo admite poderosos valores simbólicos, configurando o que, conforme Karl Marx, é denominado “fetichismo”. Assim, na medida em que permanecer esse “status quo”, auxiliado pela facilidade de crédito e descontos das concessionárias, a mobilidade urbana será grandemente precarizada, sendo imprescindíveis modificações no sistema de produção e divulgação automobilística.

De acordo com Durkheim, o fato social consiste numa maneira coletiva de agir e pensar, dotada de generalidade, coercitividade e exterioridade, em que os indivíduos são impostos a determinados comportamentos em decorrência do convívio social. Analogamente, a ocorrência inegável do consumismo, impulsionador de congestionamentos nas metrópoles urbanas, aliado à obsolescência planejada dos veículos vendidos, cria um contexto em que não só consumir, mas conviver com as consequências desse consumo tornam-se fatos sociais. Logo, mudanças da sociedade civil são vitais à resolução do problema hodierno.

Faz-se imperativo, portanto, que ações sejam operadas nas raízes da problemática, cabendo ao Governo Federal a diminuição paulatina da produção e comércio automotivo, transferindo essa capacidade a outros segmentos da economia - por meio de incentivos fiscais e tributários-, contribuindo à mitigação do consumismo vigente. Ademais, é dever do Ministério dos Transportes o aprimoramento do sistema público de transportes, investindo também da aplicação de outros modais, como o ferro e o metroviário, pluralizando o potencial de locomoção. Paralelamente, a sociedade civil organizada deve pressionar as emissoras televisivas, de modo a incentivar a demostração de veículos alternativos, como as bicicletas, em programações de grande audiência, auxiliando na modificação da mentalidade brasileira em prol da mobilidade no país.