Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 03/10/2017
Nos anos 50, o então presidente Juscelino Kubitschek investiu massivamente nas rodovias e na vinda de empresas automobilísticas para o Brasil, porém, tal investimento acabou penalizando outras formas de transporte. Hoje, a baixa competitividade no transporte público somado com uma visão de que o automóvel é símbolo de status e, por fim, centros comerciais que aglutinam grande parte dos postos de trabalho, acabam gerando um quadro crítico no que se refere à mobilidade urbana brasileira.
A atual crença de que o automóvel representa status, o que acaba aumentando a frota do mesmo, é resultado de um transporte público precário e incentivos governamentais. É comum encontrar pessoas que possuam o sonho de comprar um veículo, e dessa forma, libertar-se do transporte público, tal visão, entretanto, surge através da existência de certas regras do funcionamento do transporte público, que dificultam a entrada de novas empresas, resultando em uma fraca competitividade entre as companhias já estabelecidas, pelo fato delas não se preocuparem com possíveis novas concorrentes que sacrifiquem um lucro elevado, em prol de um melhor serviço. Além disso, a redução do IPI, imposto sobre veículos realizado pelo próprio Estado, demonstra que o próprio Governo ainda estimula o aumento na frota de tais veículos, apesar dos dados do “Sindionibus”, que afirmam que 1 carro transporta em média apenas 1,4 passageiro, ou seja, um ônibus de 45 lugares equivale à aproximadamente 32 automóveis, uma quantia capaz de melhorar o tráfego brasileiro.
Além disso, um dos perpetuadores do quadro grave visto em certas cidades em relação ao trânsito, é o movimento pendular, gerado por centros comerciais que acabam detendo alto percentual da quantidade de empregos da cidade. Em diversas cidades brasileiras, no horário de pico, são comuns grandes engarrafamentos a ponto de dados do site “mundoeducação” afirmarem que, em média, um paulistano passa 45 dias por ano no trânsito. Tais engarrafamentos são ocasionados pelo fato de ruas não planejadas para tal fim, acabarem sendo responsáveis por acomodar o movimento de trabalhadores de diversas partes da cidade, que acabam apenas obtendo emprego em tais centros e sendo obrigados à agravarem ainda mais o trânsito nessas regiões.
Em suma, é evidente que o Brasil carece de resoluções em relação à mobilidade urbana. O Legislativo, deve, por meio de uma lei, abrir o mercado para se abrir uma companhia de transporte de ônibus, melhorando a qualidade dos serviços através da competição entre as empresas e eliminar a redução do IPI, diminuindo o número de veículos vendidos. Além disso, o Governo Federal deve criar incentivos para o surgimento de postos de trabalhos em locais mais periféricos da cidade, através da redução do imposto de empresas que operem em tal localidade. Assim, o quadro, com o tempo, melhorará.