Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 03/10/2017
No documentário “Luto em Luta”, são retratados os problemas causados pelo trânsito caótico da cidade de São Paulo. Fora do documentário, os impasses são de escala nacional e atingem com maior intensidade as metrópoles brasileiras. Sendo uma decorrência da ausência de um projeto arquitetônico e da falta de investimentos, o Brasil só solucionaria a questão da mobilidade urbana tomando como parâmetro medidas adotadas por cidades como Londres e Dubai, onde o trânsito flui facilmente.
O Brasil tornou-se um país urbano à partir de meados do século XX. Porém, as cidades cresceram de modo desordenado e sem estrutura para um deslocamento interno adequado. Além disso, a criação de rodovias fora priorizada em detrimento da construção de ferrovias. Assim, sempre houve maior incentivo à utilização de transportes individuais ao invés de transportes coletivos. Atualmente, há mais de quatro pessoas para cada carro no país, o que gera o congestionamento, o estresse e a poluição, visto que a queima dos combustíveis dos carros, os mais utilizados automóveis, liberam gás carbônico. Aliás, no Rio de Janeiro, por exemplo, o número de óbitos oriundos da poluição dos carros é de 50% a mais que o número de mortes oriundas de acidentes de trânsito.
Além do mais, a estrutura das cidades são inadequadas para o fluxo de trânsito, pois não há integração entre rodovia, ciclovia, via pública, aeroporto, metrô, entre outros, como há na cidade de Dubai, localizada no Golfo Pérsico, onde são sobrepostas e de mão única, o que leva a uma maior fluidez no trânsito e evita a perda de tempo em semáforos e o engarrafamento. Ademais, em Londres há a cobrança de pedágios, inibindo o tráfego desnecessário por parte dos atores sociais que possuem muito tempo ocioso. Entretanto, a falta de investimento nessas medidas fazem com que as metrópoles, principalmente, tenham um tráfego extremamente caótico. Somado a isto, os serviços públicos dessas cidades são, geralmente, centralizados, prejudicando a mobilidade.
Logo, medidas devem ser adotadas à fim de solucionarem o impasse. Assim, O Ministério do Trânsito deve se associar ao Departamento Nacional de Trânsito com o intuito de investirem em projetos arquitetônicos tais como o de Dubai que são condizentes com o crescimento urbano e de veículos. Ademais, a cobrança de pedágios é outra medida que deve ser implementada, e os impostos arrecadados devem ser direcionados para melhorias na infraestrutura das cidades e no transporte público. Além disso, deve-se priorizar a construção de edifícios de serviços públicos nas periferias e não no centro das metrópoles, para que a convergência dos condutores não seja mais um problema de trânsito, além da informatização desses serviços, para evitar ainda mais a frota de carros. Dessa forma, a mobilidade urbana pode ser melhorada, podendo haver maior respeito aos direitos humanos.