Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 03/10/2017
Sonho de um tráfego tranquilo
É raro assistir a filmes com cenário em países desenvolvidos, como Inglaterra e Estados Unidos, cujas cenas apresentem congestionamentos assustadores. Isso porque, nesses locais, a população de classe alta costuma morar nos subúrbios, enquanto a camada trabalhadora vive nos centros, não precisando de carros para chegar ao serviço. No que se refere à mobilidade urbana no Brasil, no entanto, percebe-se um caos crescente que pede, urgentemente, melhorias, visto que reflete problemas do passado e é um inconveniente em diversos âmbitos.
Primeiramente, é preciso destacar os precursores dessa problemática no país. Diferentemente dos países desenvolvidos, o Brasil sofreu um processo de industrialização tardia e sem planejamento logístico, o que ocasionou inchaço populacional em torno dos centros fabris. Com o crescimento das cidades, encareceu-se o custo de vida nesses locais e os operários mudaram-se para periferias com menores despesas. Em consequência disso, o deslocamento de casa ao trabalho aumentou e, somado a ele, a demanda por condução.
Nesse sentido, a ineficácia dos transportes públicos tem imensa responsabilidade no contexto atual. Unidades lotadas, baixo custo-benefício e necessidade de mais de um modal para chegar ao destino são causas que levam à preferência pelo uso do veículo próprio. O excesso destes, que, geralmente, não circulam em suas capacidades máximas de passageiros, além de acarretar em saturação das vias e engarrafamentos, acentua, com a emissão de gases, problemas ambientais e de saúde, como aquecimento global, chuvas-ácidas e maior incidência de doenças cardiorrespiratórias ou relacionadas ao estresse.
Diante disso, é evidente que a saúde e o tráfego brasileiro tende a piorar se medidas públicas não forem efetuadas. Para isso, o Governo deve diminuir a frota de carros circulantes através de melhorias na qualidade dos transportes públicos, do controle da especulação imobiliária dos centros urbanos, diminuindo o êxodo para as periferias, e da implantação de faixas de alta velocidade para carros com mais de três passageiros, estimulando o sistema de caronas. Assim, o trânsito dos filmes estrangeiros deixará o plano fictício para integrar a realidade e felicidade brasileira.