Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 07/10/2017
A individualização excessiva.
A questão do trânsito, no Brasil, é reavaliada com frequência nos últimos anos devido à baixa fluidez encontrada nos ambientes urbanos. Parte disso é resultado da alta valorização do transporte individual em detrimento do coletivo, que é pouco explorado, possuindo, assim, baixa qualidade.
Dados do DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito), a cada mês, cerca de 160 mil novos carros integram o trânsito brasileiro. Isso é resultado direto de políticas públicas de investimentos, na metade do século XX, em indústrias e multinacionais automobilísticas. O aumento considerável de veículos individuais gera aumento no tempo gasto no trânsito, além da redução do investimento em alternativas sustentáveis de transporte coletivo. O aumento do poder de consumo da classe média gerou uma obsessão nacional pelo carro, que, consequentemente, gera excesso de veículos nas pistas, promovendo a ocorrência de congestionamentos constantes.
Outro fator que agrava a problemática é o baixo planejamento urbano, que acaba por reduzir o potencial dos transportes alternativos, em uma cidade. Programas de aproveitamento do transporte hidroviário, cicloviário, e metroviário são raros, quando não, inexistentes, com exceção aos grandes centros. Esse favoritismo pelo veículo individual gera perdas enormes ao meio ambiente e à toda população, pois, de acordo com dados da prefeitura de São Paulo, cerca de 46 dias são perdidos, por pessoa, por ano, no trânsito. Portanto, é necessária a ampliação de meios alternativos para a redução do excesso de veículos que obstruem o trânsito brasileiro.
Percebe-se que a questão da mobilidade urbana, no país, tem relação direta com fatores históricos e sociais, sendo, portanto, necessária, uma intervenção estatal de reeducação e planejamento urbano nas cidades nacionais. Medidas como, a ampliação dos meios de transporte alternativos, como ônibus, metrô, e ciclovias, além da reforma do transporte coletivo público, tornando-o mais acessível e seguro, pelos órgãos e prefeituras municipais, desobstruiriam o trânsito significativamente, contribuindo, assim, para o aumento do fluxo urbano. Além disso, a promoção da conscientização da população, por meios educacionais, contra a aquisição excessiva de veículos, em razão do uso do transporte coletivo, minimizaria o excesso de veículo em circulação nas rodovias, promovendo um aumento na velocidade do deslocamento urbano a longo prazo, tornando a dirigibilidade mais fácil à todos.