Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 10/09/2021
Na obra “Utopia”, do escritor britânico Thomas Morus, é retratada uma sociedade perfeita, ausente de problemas e de conflitos. Entretanto, tal situação opõe-se à realidade brasileira atual, uma vez que a mobilidade urbana no Brasil encontra inúmeros desafios. Desse modo, cabe avaliar que a raízes histórias do país e a negligência estatal brasileira promovem a permanência dessa problemática na atualidade.
Em primeira instância, é válido ressaltar o papel fundamental do Estado no que se refere ao oferecimento de infraestruturas de transportes eficientes à sociedade. De acordo com o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, determinadas leis presentes na Constituição Federal não são colocadas em prática, permanecendo, portanto, apenas na teoria. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que, apesar do Artigo 5º da Legislação garantir o direito de ir e vir de forma adequada à toda a população, o sistema de transporte brasileiro vai ao encontro do pensamento de Dimentein, visto que os meios de transportes no país se encontram sucateados, superlotados e com escassa acessibilidade.
Outrossim, é importante destacar a influência histórica como desafio na mobilidade urbana do Brasil. Nesse sentido, o Plano de Metas, estabelecido pelo presidente Juscelino Kubitschek em meados do século XX, tinha a finalidade de melhorar significativamente as infraestruturas do país, promovendo 50 anos de desenvolvimento em 5. Contudo, a rápida industrialização ocasionou o crescimento desordenado de cidades, as quais, sem um estudo eficiente sobre os transportes mais adequados para cada região, sofreram com o incentivo de meios de locomoção particulares. Por conseguinte, inúmeras regiões vivenciam diversos engarrafamentos, alto índice de poluição e, inclusive, aumento das taxas de mortalidade no trânsito.
Evidencia-se, portanto, que medidas são necessárias para mitigar esse problema. Logo, a Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos deve promover a melhoria dos transportes públicos do país, por meio do investimento no conforto, acessibilidade e, também, na sustentabilidade. Isso deve ser feito junto à empresas privadas, as quais forneceriam os materiais necessários para a efetividade dos meios de locomoção, a fim de atenuar os desafios da mobilidade urbana e aproximar-se da sociedade utópica de Morus.