Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 04/08/2021

Cidades deficientes

No filme intocáveis somos introduzidos à amizade entre Philippe, um milionário francês tetraplégico, e Abdul, um imigrante algeriano, contratado para ser enfermeiro do primeiro. Na trama, somos apresentados às inúmeras nuances da doença de Philippe, vale-se, então, salientar a dificuldade do mesmo de acessar transportes públicos e locomoção na cidade em geral. Fora da sala de cinema, pode-se perceber a imensa desigualdade quando se refere ao acesso aos transportes públicos e a mobilidade urbana, seja pela falta de adaptação dos veículos para a população com deficiências físicas ou pela falta de planejamento urbano nas cidades mais novas.

Em primeiro plano, é preciso tomar consciência do problema da falta de adaptação dos veículos coletivos para a população com deficiências físicas, visto que, mesmo com normas que garantem vagas e passes aos deficientes, como Lei Federal nº 8.899 e as normas da ABNT, muitas vezes, o transporte coletivo não possui as acomodações necessárias para o embarque no veículo, como rampas e elevadores. Como consequência da situação, muitos cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida são essencialmente obrigadas a se manter pedestres.

Nesse prisma, pode-se avaliar também, a ocorrência da falta de planejamento urbano nas cidades, fato que deu o nome ao termo “Cidades deficientes”, ou seja, cidades que não estão aptas à vivência das pessoas com mobilidade reduzida. A ocorrência de cidades deficientes pode se dar por diversos fatores, um deles sendo o planejamento urbano apenas para o trânsito de máquinas ao invés de pessoas, isso faz com que a população deficiente, além de ter dificuldade para embarcar em transportes coletivos, também sofra para se movimentar pela cidade, pela falta de rampas, sinalização própria e faixas para sua locomoção.

Logo, torna-se imprescindível que seja tomada ação para a maior inclusão de pessoas com deficiência. Essa ação, que será comandada pelas prefeituras municipais, se dará com a implementação de rampas e elevadores, tanto em transportes coletivos quanto em edificações de posse do governo, para, assim, tornar mais fácil a mobilidade entre locais para o demográfico com mobilidade reduzida, com o mesmo, então, tendo a oportunidade de escolher entre o transporte coletivo ou a travessia na própria responsabilidade.