Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/06/2021
A Costituição Federal de 1988 - principal instrumento jurídico brasileiro - assegura o direito de ir e vir com dignidade a todos os cidadãos. Entretanto, na prática, tal garantia não se mostra plenamente efetivada na população, uma vez que a mobilidade urbana ainda é um desafio no Brasil. Assim, faz-se de extrema necessidade que a precariedade dos transportes públicos e a falta de planejamento das cidades não sejam mais entraves para a concretização desse direito.
A princípio, cabe destacar o Estado como agente desta problemática. Isso porque, em decorrência do escasso investimento estatal, no que tange aos transportes coletivos no Brasil, indivíduos são expostos cotidianamente ao sucateamento e a morosidade presentes nesses, sendo, de certa forma, um fator que contribui extremamente para cultura de valorização do carro, em razão do conforto e praticidade oferecido pelo veículo. Esse lamentável quadro pode ser fortemente associado, por exemplo, com a citação de Carlos Drummond de Andrade, na qual menciona " No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.", já que as péssimas condições dos modais públicos se caracteriza um grave empecilho para mobilidade urbana. Logo, é substâncial a mudança desse panorama.
Por outro lado, observa-se que a ausência de planejamento urbano colabora massivamente para a permanência do problema supracitado. Sabendo disso, convém abordar o processo de urbanização, o qual ocorreu de forma desigual e desorganizada no Brasil, posto que, de certo modo, esse está totalmente atrelado a imobiliadade urbana que se encontra no país contemporâneo. Dessa maneira, percebe-se que tal conjuntura traz consequências preocupantes à sociedade, como o trânsito caótico e a falta de ciclovias, sendo que essas não só prejudicam na qualidade de vida dos cidadãos brasileiros, mas também evidencia a negligência perante modais mais sustentáveis. Nesse contexto, é essencial superar esse cenário que afeta tanto as pessoas quanto o meio ambiente.
Portanto, fica claro que atitudes para reversão destes obstáculos são necessárias. Dessa forma, concede ao Governo Federal, por meio do Ministério de Infraestrutura, investir nos transportes coletivos e ferroviários, em função de sua importância, com o fito de propiciar melhores condições que permitem o deslocamento das pessoas no espaço geografico. Além disso, cabe também ao Estado, em parceria com as prefeituras, oferecer um excelente planejamento urbano, mediante projetos específicos para as grandes cidades, como São Paulo, que, por sua vez, devem viabilizar o uso de modais sustentáveis, a fim de aprimorar a mobilidade urbana no Brasil. Feito isso, a sociedade brasileira poderá usufruir plenamente dos elementos elencados na Magna Carta.