Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/06/2021

Há mais de 2000 anos, após as grandes guerras, o Império Romano destinou seus soldados a construir estradas que ligavam todos os territórios conquistados, tal investimento facilita até hoje a circulação de pessoas entre os países pertencentes à União Europeia. Entretanto, vale ressaltar que diferentemente da Europa, a realidade do território brasileiro se caracteriza pelo grande e continuo descaso com a mobilidade urbana. Esse problema, cuja causa se relaciona com a falta de planejamento dos centros urbanos, gera consequências negativas como a perda do direito à cidade pela população.

Deve-se destacar, inicialmente, que várias cidades brasileiras foram construídas rapidamente e de modo desorganizado. Exemplo disso foi durante a vinda da corte portuguesa ao Brasil em 1808, na qual a população mais pobre foi expulsa de suas casas e reorganizada em cortiços as margens dos grandes centros, os quais não tinham nem infraestrutura, nem saneamento básico. Além disso, com o passar dos anos as cidades aumentaram, criando grandes conurbações, e pouco foi feito para melhorar o deslocamento das pessoas no meio urbano. Dessa forma, infelizmente, constatasse que os líderes, invés de prover o bem estar social, ao longo da história, dificultaram ou não auxiliaram no crescimento organizado das cidades, resultando hoje na péssima mobilidade urbana.

Por conseguinte, presencia-se um forte esvaziamento do direito à livre circulação nos centros urbanos. Como defende o geógrafo David Harvey em sua tese sobre a influência da divisão social de classes na locomoção dos indivíduos entre os locais públicos, na qual ele conclui que pessoas mais ricas têm acesso à diversidade de espaços maior que os pobres, haja vista o grande tempo de deslocamento, meios de transportes públicos sucateados e a falta de segurança. Sob tal ótica, verifica-se que a deficitária mobilidade urbana agrava a exclusão social não só das classes mais baixas, mas também dos deficientes físicos que dificilmente encontram locais ou transportes públicos acessíveis. Assim, é inadmissível a ineficácia do governo em não dispor as garantias básicas a toda população.

Logo, é essencial melhorar a mobilidade urbana no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Infraestrutura aumentar as formas de transporte coletivo nas cidades, por meio da instalação de trens rápidos e modernos que liguem todas as zonas da cidade –os quais devem ter passagens de baixo custo e ter acesso igualitário a todos–, com o intuito de deslocar várias pessoas e diminuir o fluxo de carros particulares no transito. Ademais, competem às prefeituras municipais exigir das empresas de transporte público que todos os ônibus sejam acessíveis aos deficientes, além de realizar reformas nos ambientes públicos incluindo rampas e pisos táteis. Com essas medidas, a sociedade conseguirá se mover com maior facilidade pelos espaços urbanos, assim como os romanos milênios atrás.