Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/04/2021

O Plano Desenvolvimentista de Juscelino Kubstcheck, na década de 50, favorecia o modelo rodoviarista de transportes e a instalação de indústrias automobilísticas no Brasil. Consequentemente, na contemporaneidade brasileira, a mobilidade urbana torna-se cada vez mais difícil, visto que, nos grandes centros urbanos, há superlotação de automóveis. Isso ocorre devido à desqualificação dos transportes coletivos e à falta de incentivos a outros meios de locomoção, logo, ocasionando grandes engarrafamentos e o aumento de poluição.

Em primeiro lugar, vale destacar que a má qualidade dos serviços públicos de transporte no Brasil, além da desvalorização de outros meios sustentáveis, influencia no significativo número de carros e motos nas ruas. Embora, segundo o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), a lotação nos ônibus tenha diminuido 23%, a precariedade do uso desse transporte ocasiona excessivo estresse e desconforto a quem o usa, assim, impactando maior procura pela aquisição de se ter o próprio automóvel, logo, aumentando o número de carros nas ruas. Além disso, a falta de alternativas e incentivo para a dinamização do trânsito, como ter mais ciclovias, não contribui para a mobilidade urbana.

Por conseguinte, engarrafamentos e poluições, como a sonora e a atmosférica, tornam-se comuns na vida dos cidadãos das grandes metrópoles. Paralelamente a essa realidade, o documentário brasileiro “130 Km”, narra os exaustivos trânsitos na cidade de São Paulo, apontando as horas perdidas por muitos trabalhadores e o ocasionamento de estresse e atrasos aos indivíduos. Da mesma forma, os centros urbanos brasileiros, diariamente, vivenciam a exausta rotina caótica dada pela aglomeração de carros nas vias, pois as pessoas optam pelo transporte individual. Logo, fica evidente a necessidade de medidas que colaborem para um melhor tráfego de veículos nas cidades.

Portanto, faz-se necessária a atuação do Estado, juntamente com as Secretarias de Trânsito e Obras dos municípios, oferecer à população melhores condições de mobilidade urbana. Isso se dará a partir da diversidade de meios de locomoção, a fim de evitar a lotação de ônibus e o desconforto dos passageiros, além do estabelecimento de mais quilômetros de ciclovias e o incentivo ao seu uso. Essas intervenções devem ocorrer por meio da organização de mais horários de ônibus, além da conscientização da utilização de outros meios, como as bicicletas e os metrôs, e obras que incluam faixas para os ciclistas. Com isso, documentários como o “130 Km” não relatariam a desgastante vida nos trânsitos brasileiro.