Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 22/02/2021
Ao longo do século XX e, principalmente, no auge do governo Juscelino Kubitschek, viu-se no Brasil o predomínio de uma política rodoviarista. Essa forma de gerir as cidades trouxe inúmeras consequências, desde então, pois o predomínio desse modal, hoje responsável por 62% do transporte urbano, segundo o “Jornal Futura”, além de causar congestionamentos, também limita o uso de outros meios de transporte. O efeito dessa política pode ser analisada, portanto, a partir da diminuição da qualidade de vida, além de danos à economia brasileira.
Diante disso, é necessário destacar os principais fatores responsáveis pelos problemas de mobilidade nas grandes cidades brasileiras. Segundo Enrique Penalosa, ex-prefeito de Bagdá (1998-2001), e responsável por iniciar a implementação do transmilênio, a única maneira de melhorar o transporte no meio público é restringindo o uso de carros. Nas cidades brasileiras, no entanto, o que se vê é o predomínio do uso de automóveis, o que dificulta e bloqueia o fluxo nas principais rodovidas do país. Adicionalmente, o investimento no modal rodoviário em detrimento de outros, como o metroviário, contribui para a manutenção desse cenário, no qual há ineficiência no plano de circulação e, ainda, gera desgastes sociais.
Desse modo, como consequência desse plano rodoviarista, é muito comum observar, na atualidade, respostas físicas e psicológicas nos indivíduos que enfrentam, diariamente, esse sistema em colapso. Nas capitais brasileiras, como São Paulo e Belo Horizonte, muitas pessoas enfrentam congestionamentos diários de 2 a 3 horas - cenário propício para o desenvolvimento de transtornos psíquicos, como ansiedade e estresse. Além disso, observa-se prejuízos à economia, visto que a dificuldade de circulação causa atraso na entrega das cargas e, consequentemente, encarecimento dos produtos. Ou seja, esse panorama, além de afetar o âmbito pessoal e social, com o desenvolvimento de doenças, também causa efeitos sobre a economia brasileira.
Dessa forma, a fim de melhorar a mobilidade no meio urbano, é necessário que os municípios restrinjam a circulaçao de carros, como fez Enrique Penalosa. Para isso, as prefeituras devem promover campanhas que incentivem os cidadãos a deixarem seus automóveis em casa, nos horários comerciais, além de restringir o estacionamento nas ruas. Ademais, o Ministério das Cidades, em parceria com as prefeituras, devem ampliar as redes de ônibus no formato integração e, também, investir no modal metroviário, que pode ser construído, por exemplo, subterrâneo às vias exclusivas para ônibus.