Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 04/12/2020

O texto “A autoestrada do sul”, redigido pelo escritor argentino Júlio Cortázar, faz uma crítica à rede locomotiva ao retratar um engarrafamento que dura anos. Fora da ficção, percebe-se o caráter atemporal da obra, visto que a crise na mobilidade urbana brasileira persiste na contemporaneidade. Sob esse viés, é imprescindível discutir as raízes da problemática, bem como seus impactos para a sociedade brasileira.

Em primeira análise, é fundamental destacar que o excesso de veículos é o principal gerador da problemática. Isso ocorre porque, após, sobretudo, o governo de Juscelino Kubitschek em 1956, foi promovido uma política rodoviária à medida que incentivou o crescimento desordenado da indústria automotiva. A partir disso, o Brasil passou super valorizar o automóvel, o que fomentou o excesso de carros e a difícil locomoção dos indivíduos. Tal questão pode ser associada aos estudos do sociólogo John Urry, o qual disserta obre o veículo próprio ter sido elevado ao símbolo de status na sociedade, caracterizando-se como algo inerente ao homem.

Pontua-se, como consequência, os impactos da precariedade da rede locomotiva na qualidade de vida dos cidadãos e no meio ambiente. Tal fato pode ser justificado pelos altos níveis de emissão de gases e poluentes emitidos principais meios de transporte que contribuem com o agravamento da poluição atmosférica. Além disso, reiteram a diminuição da qualidade da vida da população em virtude do tempo gasto no trânsito. Prova disso são os dados do jornal “O Globo”, os quais mostram que paulistanos passam em média 45 dias do ano presos em congestionamentos. Assim, esse tempo diário gasto no trânsito está diretamente ligado com o aumento do estresse e sedentarismo, prejudicando grande parte dos brasileiros.

A fim de atenuar esse impasse, é necessário que medidas sejam tomadas. Urge-se que as Secretarias dos Transportes Metropolitanos de cada estado implementem o pedágio urbano nas regiões metropolitanas, registrando a cobrança por meio de um chip instalado no carro, medida que já é adotada e bem sucedida em cidades como Londres e Estocolmo. Dessa forma, com medidas graduais,

as “autoestradas do sul” ficarão restritas à ficção e a questão da mobilidade urbana não será mais um desafio a ser enfrentado.