Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 14/11/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais dos indivíduos que a compõem. Fora da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão da mobilidade urbana, a qual é um dilema enfrentado pela população. Desse modo, observa-se que essa problemática reflete um cenário desafiador, não só pela exclusão de algumas minorias, como também pelo descaso governamental.
Em primeira análise, vale salientar o desprezo com os grupos minoritários, como os deficientes físicos. Nessa perspectiva, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, em 2020, cerca de 27% da população brasileira é portadora de alguma deficiência, a qual alega ter dificuldade de se locomover nos locais de uso público e privado. Tal postulado ratifica uma exclusão social, uma vez que a maioria dos lugares não é adaptado para todos os cidadãos, o que contribui para uma circulação mais lenta das pessoas, ou até mesmo uma impossibilidade de locomoção. Ademais, nota-se que essa atitude negativa faz com que a mobilidade seja cada vez mais dificultada nas zonas urbanas.
Outrossim, deve-se destacar que o Poder público falha ao cumprir seu papel como garantidor do bem-estar social. Nesse âmbito, o jornalista Gilberto Dimenstein elaborou uma tese denominada “O Cidadão de Papel”, na qual o autor define o termo como um indivíduo que apesar direitos na legislação, não os vivenciam, devido à desinformação por parte da população ou à subtração destes pela esfera governamental. Sob tal ótica, sabe-se que a falta de infraestrutura na mobilidade urbana tem como responsável o Estado, o qual não exerce sua função, o que deixa o tráfego nas cidades um caos, pelo fato de que as avenidas não comportam um grande número de veículos e também pelo baixo incentivo de outros transportes alternativos. Por conseguinte, essa ação negligenciada corrobora para uma anomia social -teorizada pelo sociólogo Émile Durkheim-. Logo, é preciso uma intervenção para que essa questão seja modificada.
Portanto, para que haja uma melhoria nesse cenário de mobilidade urbana, é imprescindível o esforço coletivo entre o Estado e as comunidades. Nessa lógica, cabe ao Governo Federal, em parceria com instituições midiáticas, tais como: Instagram, Facebook, Twitter, propor uma reeducação sociocultural, mediante a circulação de campanhas educacionais, em jornais, livros e palestras nas escolas com profissionais especializados. Essa ação deve ter por finalidade promover o uso de transportes alternativos, como as motocicletas, metrôs e ônibus. Além disso, investir na infraestrutura -calçadas e sinaleiros- para os deficientes físicos e idosos, para que assim possa haver uma mobilidade mais sustentável e agradável.