Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 04/11/2020
A fim de impulsionar o desenvolvimento econômico do Brasil, o presidente JK investiu pesadamente no rodoviarismo para incentivar a chegada de indústrias automobilísticas no país. Porém, nos governos seguintes, não houve uma manutenção do sistema e, com isso, o crescimento desordenado do setor causou impactos sentidos até hoje na sociedade: o aumento descomedido de carros e a desvalorização de pedestres e ciclistas.
A princípio, há incentivos massivos para que indivíduos adquiram seu próprio automóvel. Por um lado, há a mídia que vende a ideia do carro sendo sinônimo de status e poder. Por outro, há a falta de eficiência dos transportes públicos, com veículos lotados e passagens caras. Segundo dados do Denatran, a quantidade de veículos individuais cresceu 85% enquanto a de ônibus caiu 35%. Nesse contexto, é visível que a má qualidade dos transportes públicos contribui para o aumento de carros nas cidades.
Outro fator importante é a “carrocracia” vigente no país. É possível ver pelo planejamento das cidades a priorização dada aos automóveis: grandes estradas, calçadas pequenas e ciclovias mal estruturadas são alguns exemplos. De acordo com Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá que transformou a mobilidade da cidade, “uma Mercedes não é mais dona de uma rua que uma bicicleta”, máxima que não é adotada pelos governantes brasileiros. Sendo assim, o conforto disponibilizado para ciclistas e pedestres no país é ínfimo.
Dessa forma, é evidente que o Brasil sofre com problemas de mobilidade urbana. Para mudar a atual conjuntura, é necessário que o Ministério da Infraestrutura em parceria com os prefeitos de cada município incentive o uso de transportes públicos por meio da melhoria deles; com o aumento do número de ônibus em circulação e barateamento de passagens os cidadãos serão estimulados a optarem pelos transportes coletivos em vez de veículos particulares, fazendo valer a pena o custo benefício.