Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 26/10/2020
Ao final da década de 50, o então presidente Juscelino Kubitschek realizava sua política de “50 anos em 5”, consolidando o Brasil como país majoritariamente rodoviário. Com os incentivos à compra do veículo individual, e a histórica falta de planejamento nas áreas urbanas brasileiras, que já contam com mais de 80% da população, hoje já se observa um verdadeiro caos da mobilidade nas cidades que precisa ser combatido, pois apresenta constantes congestionamentos viários, contribuidores da poluição atmosférica com a liberação de gases danosos pelos automóveis e da degradação da saúde da população e dos ambientes públicos.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente há um automóvel a cada quatro habitantes no país, fato que demonstra a “mania” brasileira de recorrer ao transporte individual. Esse costume aliado à decrépita situação das calçadas, ao faltoso sistema de ciclovias seguras, e as limitadas frotas de ônibus e sistemas metroviários, contribuem para o desestímulo do uso de transportes públicos e de outros meios sustentáveis de deslocamento auxiliadores do desentupimento das vias, que agilizaria o transporte de mercadorias, reduziria a emissão de poluentes, além de criar um ambiente citadino mais aprazível.
Ademais, com o crescimento das áreas metropolitanas, observa-se crescentemente o fenômeno da migração pendular, na qual o cidadão de um município se desloca diariamente até seu emprego em uma cidade próxima, dependendo assim de um automóvel e aumentando o fluxo rodoviário. Nessa problemática surge ainda mais um estorno: o estresse frequente causado por horas de espera e conflitos no trânsito, que deteriora a saúde mental desses trabalhadores, fato que contribui para que o Brasil seja um dos líderes em maior população com diagnóstico de ansiedade no mundo de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Dessa forma, para enfrentar os desafios da mobilidade urbana no Brasil, se faz necessário um incentivo ao uso do transporte compartilhado nos meios midiáticos e reformas estruturais nas vias urbanas, com construção de mais ciclovias, melhores calçadas, e uma expansão das malhas de metrô, realizadas pelo Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) em conjunto com o Ministério da Infraestrutura. Apenas atendendo à essas medidas será possível dar mais qualidade de vida ao dia a dia dos brasileiros.