Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 22/10/2020

Consoante ao historiador Sérgio Buarque de Holanda, os portugueses colonizaram o Brasil como “semeadores”, ou seja, “semearam” as casas, os comércios, a infraestrutura brasileira sem nenhuma organização ou padronização, semelhante ao ato de semear. Esse ato fez com que, a desorganização estrutural das cidades e os desafios da mobilidade urbana, os quais geram o inchaço no trânsito e a desarmonia entre pedestres e veículos, existissem  hodiernamente.

Em primeiro plano, o inchaço no trânsito ocorre pela má organização das vias e, principalmente, pelo grandioso número de carros nas ruas. Isso  acontece não só pela herança rodoviarista, deixada por JK, mas também pelo incentivo ao mercado automobilístico, já que é evidente a péssima qualidade do transporte público. Esse inchaço é um desafio seja pela  emissão de gases poluentes os quais corroboram o efeito estufa e os problemas respiratórios, seja pelo estresse, brigas de trânsito, não cumprimento das leis ou custo de tempo.

Em segundo plano, a falta de calçadas ou o desnivelamento delas, as poucas rampas de acesso para os deficientes e a pouca educação no trânsito gera grande dificuldade aos pedestres que acabam andando na rua, aumentando o risco de acidentes; assim como a falta de ciclovias, já que a bicicleta é um meio de transporte alternativo.

Em suma, a harmonia no trânsito é necessária para o bem estar social. Para que isso ocorra, é necessário que os prefeitos cumpram o plano diretor, como alargamento das ruas, construção de viadutos, reconstrução de calçadas mais niveladas, com rampas para deficientes, ciclovias a fim de diminuir o transito; assiste ao governo a maior divulgação da “Semana Nacional do Trânsito”, que ocorre em setembro, por meio de comerciais na grande mídia, palestra no SEST/SENAT aos motoristas de caminhões, alertando sobre os deveres, panfletagem consciente para realertar os riscos aos motoristas das cidades e círculos de discussão aos pedestres, relembrando a todos as leis de trânsito e influenciando o uso dos meios de transporte alternativos (como a carona compartilhada, bicicletas, patinetes, caminhada); tudo com a apresentação de infográficos sobre o número de acidentes e suas causas, tal como evitá-los, a fim de harmonizar as ruas e rodovias. E, finalmente, cabe o investimento público/privado nas companhias de transporte público para a melhora de qualidade. Assim, a antiga e desorganizada “plantação” brasileira de ruas e de carros poderá se transformar na fácil, organizada e  livre circulação de pessoas no espaço social.