Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/10/2020
A década de 1950 ficou marcada na história brasileira por popularizar o uso de transportes individuais através da alocação de investimentos para infraestrutura de rodovias e para indústria automobilística nacional. Assim, a ideia dessa decisão governamental, era a de garantir a liberdade de locomoção dos cidadãos. Contudo, após 70 anos de incentivos aos carros, percebe-se que a proposta inicial de liberdade fora esquecida, uma vez que a principal causa dos problemas referentes à mobilidade urbana - engarrafamentos e tempo perdido no trânsito - são os próprios carros. Dessa forma, cabe examinar a ineficiência da ação do Estado brasileiro frente ao empecilho e suas preocupantes consequências.
É fulcral pontuar, primeiramente, que durante toda metade final do século XX as políticas públicas nacionais criadas visando combater os desafios de locomoção das pessoas dentro das cidades foram insuficientes. Nesse viés, analisa-se o metrô da cidade de São Paulo - maior metrópole brasileira e com maior sistema de rede metroviária - que conta com aproximadamente apenas 100 km de extensão das suas linhas para uma população de 13 milhões, resultando em uma relação de 7,69 km de malha ferroviária urbana por cada 1 milhão de habitantes. Xangai - cidade chinesa -, por outro lado, possui mais de 600 km de túneis escavados para passagem de trens urbanos, atendendo 24 milhões de pessoas, o que significa uma relação de 25 km por cada 1 milhão de indivíduos. Logo, é indiscutível que os incentivos estatais aos transportes públicos brasileiros são ineficazes, visto que o desempenho da melhor e mais rica cidade brasileira no quesito analisado, frente ao de outro país em iguais condições de comparação, é 3 vezes menor.
Dessa forma, o panorama caótico responsável por causar engarrafamentos quilométricos tem por consequência o aprisionamento dos cidadãos em jaulas motorizadas, opondo-se, desta maneira, ao que fora idealizado na década de 50. Atraídos por uma maior quantidade de empregos e maior infraestrutura para conveniência e lazer, os moradores de grandes centros urbanos perdem em média 1 mês e 15 dias dentro de seus carros, de acordo com reportagem sobre mobilidade urbana publicada pelo portal Uol. Por conseguinte, estes milhões de motoristas que são obrigados a desperdiçar parte considerável de suas rotinas no estresse do trânsito, por falta de investimentos dos Governos, acabam por desenvolver doenças como depressão ou ansiedade, pois distanciam-se forçadamente de suas famílias e estão em constante estado de tensão.