Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/10/2020
“Ordem e progresso”. A célebre frase do filósofo positivista francês Auguste Comte retrata como a sociedade brasileira necessita ajustar as lacunas que inferem no avanço da nação. Não distante da literatura, no atual cenário brasileiro, apesar de garantido pela Constituição Federal de 1988 o direito à ir e vir, tal contradição é vista na prática, uma vez que, com o aumento do número de veículos no trânsito o problema da locomoção e da fluidez se fez presente no cotidiano na vida dos motoristas dos grandes centros urbanos. Nesse diapasão, seja pela baixa qualidade no transporte público ou pela ausência de um planejamento urbano, cabe uma análise dos principais motivos que faz da mobilidade nas cidades um impasse à constitucionalidade.
A priori, é mister afirmar da péssima qualidade dos serviços de transportes públicos. A esse respeito, o escritor Gilberto Dimenstein em seu livro “Cidadão de papel”, demonstrou a importância que os meios de transportes gratuitos têm na vida de um indivíduo que não possui recursos para obter um locomotor particular. Entretanto, o que pode-se perceber, muitas das vezes, é o excesso de passageiros além da capacidade permitida nas viagens e na inacessibilidade para portadores de deficiências físicas que acabam recorrendo à transportes particulares para suprir a necessidade de se locomover com maior segurança. Dessa forma, cabe mudança nesse cenário para que menos pessoas sejam prejudicadas pelo transporte coletivo.
A posteriori, é válido pontuar que desde o período neolítico o homem pré-histórico habituava-se em ambientes que proporcionavam apenas um sustento econômico- sem pensar no planejamento estrutural da região. Nesse contexto, aglomerados de centros urbanos foi-se formando ao longo da história brasileira visibilizando assim a restrição em áreas livres para construção de estradas que facilitassem o deslocamento da população. Concomitantemente a isso, formou-se uma sociedade com estreitas faixas de trânsito para uma exorbitante demanda de carros, sobretudo as transportadoras de cargas.
Depreende-se, portanto, que diante dos fatos supracitados medidas devem ser tomadas a fim de reduzir os desafios da mobilidade urbana no Brasil. Pra que isso aconteça, urge que a Secretaria de Mobilidade Urbana- órgão responsável pela melhoria da fluidez do trânsito-, desenvolva, por meio de verbas governamentais, a extensão de vias públicas para o transporte coletivo. Além de ser importante a participação do Poder Público municipal na expansão ou na criação de veículos acessíveis à qualquer localização e cidadão. Dessa forma, garantir-se-á a redução das dificuldades de se locomover no Brasil visando assim o progresso como esperado por Comte.