Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 28/09/2020
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza pelo problema do outro. No entanto, quando se observam os desafios da mobilidade urbana, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pelo aumento descomedido da frota de carros, seja pela falta de políticas públicas eficientes no transporte em massa.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o aumento descomedido da frota de carros impulsiona o problema. Segundo a pesquisa feita pela FGV, em 2016, a frota de veículos automotores cresceu 400% nos 10 últimos anos no Brasil. Diante disso, é evidente a forma como o individualismo afeta a movimentação coletiva no espaço - com o desuso do transporte público e a aquisição de um veículo particular, como medida econômica de longo prazo. Logo, esse crescente número de veículos é responsável pelos amplos congestionamentos, por perturbações no tráfego, poluição sonora e ambiental, já que as rodovias não crescem na mesma proporção da frota de carros, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.
Outrossim, é imperativo ressaltar a falta de políticas públicas eficientes no transporte em massa como promotor do problema. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, o governo brasileiro não se dedica a oferecer serviços de transportes coletivos melhores e investimentos no modal metroviário, nos veículos leves sobre trilho (VTDs) e nas ciclovias. Em decorrência disso, configura-se um contexto de grandes congestionamentos, o que corrobora prejuízos financeiros em função do elevado período necessário nos fluxos de mercadorias e pessoas, tornando-se necessária a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Urge, portanto, a melhoria da mobilidade urbana na pátria brasileira. Cabe, então, às instituições formadoras de opinião, como escolas e setores da mídia de amplo alcance, fomentar uma mentalidade de apologia aos transportes alternativos, por meio de simpósios, palestras e campanhas sobre a temática, os quais sejam capazes de explicitar os prejuízos socioambientais decorrentes da cultura do automóvel, com o fito mitigar adversidades presentes nos traslados urbanos. Ademais, cumpre aos governos municipais e ao federal ampliar alternativas ao modelo rodoviarista, por meio de uma redefinição de prioridades orçamentárias, que viabilize a disponibilidade de mais transportes coletivos e de ciclofaixas para o uso de bicicletas compartilhadas, com o intuito de possibilitar uma vivência harmônica e de qualidade nas cidades brasileiras.