Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 26/09/2020
Sob a perspectiva filosófica de São Tómas de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem o mesmo direito, inclusive à mobilidade. Por conseguinte, a agilidade do deslocamento urbano é imprescindível para promoção dessa norma. Entretanto, a frequente dificuldade enfrentada pela população brasileira de se locomover com facilidade nas cidades, demonstra que essa premissa não é experimentada na prática. Nesse contexto, cabe analisar que a fragilidade dos modais de massa e o comportamento social são os principais causadores do problema.
No que concerne à problemática, a negligência governamental no aperfeiçoamento do transporte de alta capacidade, é um fator agravante da mobilidade urbana. Dessa forma, segundo o contratualista Thomas Hobbes, cada cidadão abre mão de parte da sua liberdade e delega funções ao Estado, que são exercidas por meio um contrato social - leis -, a fim de atingir o bem-estar comum. Em analogia, os governantes brasileiros, em detrimento da locomoção adequada para os grandes centros urbanos, visam o lucro do mercado automobilístico, um setor de importância economicamente, o que rompe com o acordo proposto pelo filósofo. Como consequência, tem-se a intensificação da emissão de gases do efeito estufa, o que gera diversos problemas ambientais.
Outrossim, cabe analisar que os indivíduos brasileiros tendem a utilizar o transporte particular com mais frequência, o que intensifica a situação em questão. Nesse viés, consoante ao pensamento de Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidades Líquidas”, as sociedades contemporâneas são pautadas na efemeridade, na individualidade e no imediatismo. De maneira análoga, a teoria do sociólogo aplica-se à realidade brasileira, tendo em vista o comportamento individualista e fútil dos cidadãos que, por ter em mente a precariedade da locomoção de massa, preferem usar o próprio veículo. Com efeito, a intensa utilização do modal individual gera, consequentemente, o trânsito caótico nas cidades. Urge, portanto, medidas para solucionar o problema em discussão. Para isso, cabe ao Ministério do Transporte, em parceria com o Poder Político, melhorar o deslocamento da população no país. Isso será feito por meio de investimentos em empresas de transporte coletivo, que visarão aperfeiçoar e desenvolver diversos veículos com grande capacidade, além de fazer o planejamento das trajetórias desses modais, de forma que seja consolidado por todo contexto urbano. Dentro dessa conjuntura, tais ações objetiva promover de forma eficiente a mobilidade no Brasil, como prevista por Tómas de Aquino.