Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 24/09/2020

Na década de 50, o ex-presidente Juscelino Kubistchek, durante o processo de industrialização do Brasil, proferiu a frase ‘‘governar é abrir estradas’’, implantando automaticamente e sem os devidos planejamentos, o modal rodoviário como principal no país. Entretanto essa adaptação acelerada, gerou uma série de desafios relacionados ao modelo de circulação de pessoas pelo transporte público nas cidades e ao escoamento para o abastecimento de mercadorias entre os estados.

Em primeira análise, a rede de transporte público atualmente não abrange toda a população de maneira positiva. Isso é observado mediante a falta de organização na instalação do modal brasileiro. Ao optar por vias rodoviárias é possível construí-las com mais agilidade, no entanto, o transporte aborda um número reduzido de passageiros e com velocidade limitada, fator que favorece o crescimento de extensas situações de trânsitos nas grandes capitais. Ademais, a falta de infraestrutura presente neste modelo acarreta em maiores gastos governamentais impulsionando a problemática da mobilidade urbana no Brasil.

Em segunda análise, segundo Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), o transporte rodoviário representa o principal modal utilizado para a movimentação de cargas. O percentual chega a 60% da circulação de mercadorias. Essa situação de dependência é responsável por inviabilizar os investimentos nos modais aéreo, ferroviário e marítimo. Além disso, os preços para utilizar o frete aéreo ainda são pouco competitivos e ficam restritos a entregas expressas e ao envio de cargas prioritárias. Como resultado, as empresas também lidam com o elevado tráfego de veículos nos centros urbanos para efetuar o escoamento entre estados.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para solucionar os desafios da mobilidade urbana no Brasil. O Ministério dos Transportes deve investir na logística estrutural das cidades por meio da gradativa troca do modal rodoviário pelos modais aéreo, ferroviário e marítimo. Este investimento deve alterar a infraestrutura comunicativa entre as cidades a fim de facilitar a circulação de pessoas e mercadorias sem impasses. Dessa forma, torna-se possível obter uma malha urbana livre de problemas ligados a rede de transportes e escoamentos.