Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Superficialmente, o fato do Brasil dispor de uma relação com a Indústria automobilística, a princípio, pode parecer genericamente positivo, mas não o é. A Holanda, destaque no critério de mobilidade eficiente, não impõe aos seus cidadãos a visão da posse veicular como objeto de desejo e “status”- algo decorrente neste país. Por isso, adotar meios mais apropriados de transporte tem se tornado algo secundário na idéia popular. Tal razão, por exemplo, interfere na má qualidade de vida, seja pelas horas no tráfego, seja, até mesmo, pelas poucas alternativas satisfatórias.
De um ponto de vista social, os brasileiros associam o uso de carros no dia-a-dia como um preceito utópicamente moderno. O atual drama começou em 1930 com o Positivismo, através de mecanismos Estatais que aceleraram os investimentos das fabricações automobilísticas. Em vista disso, até hoje, essa produção vem crescendo desenfreadamente, mesmo com um precário suporte infraestrutural para atender à demanda. Uma pesquisa do portal mobilize, feita em 2016 no estado de São Paulo, divulgou que somente 5% dos trabalhadores não optaram por meios transitórios tradicionais. Esse dado reforça claramente que, de forma implícita, o problema de mobilidade urbana tem duas de suas raízes no aspecto social: sendo uma fixada na eclosão político-econômica, e outra, ainda, no deplorável desinteresse coletivo.
Através de uma conjectura logística, o uso de ônibus ou metrô, juntamente com o ciclismo, ainda que aparentemente rentáveis, se opõem aos interesses particulares devido aos seus riscos. Os dados mostram que, anualmente, 17,8% de acidentes ocorrem em ciclovias, de acordo com o jornal Agência Brasil. Do mesmo modo, passageiros de todo o país se expõem diariamente a riscos de acidentes devido à precária pavimentação, a furtos constantes e ao afincado estresse - fatores que salientam o uso abusivo de carros. Um artigo no site “Tua Saúde” mostra que pessoas expostas a tais riscos são, em sua maioria, 59% mais infelizes.
Em suma, é notável a crise em ambos os aspectos: na cinesia pessoal, e na coletiva . Os Governos Estaduais devem, pois, desmitificar o automóvel por meio de campanhas publicitárias que cativem outros possíveis usos, dando ênfase majoritariamente, em tecnologias mais efetivas e ecológicas. Também, cabe ao Poder Público Municipal investir o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na manutenção mensal de transportes coletivos e terminais, em construções de ciclovias bem sinalizadas e na aquisição de monitoramentos sob sistemas de segurança. Por tais meios, certamente, será possível cercear a vaidade amoral e insustentável, conciliando a boa vontade individual com o benefício de todos.