Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 19/10/2019
No filme americano “Tomorrowland – um lugar onde nada é impossível” evidencia-se contexto ficcional onde os automóveis voam, viagens na velocidade da luz são possíveis e a sociedade apresenta soluções interessantes para o transporte e a mobilidade. Fora da ficção, a realidade brasileira evidencia que políticas públicas equivocadas sobre o modal de transporte predominante tem construído contexto prejudicial para a economia, saúde da coletividade e ao meio ambiente, exigindo da sociedade atual criatividade e mudança. Logo, sob esses aspectos, considerando a relevância do tema, urge do Estado e da sociedade civil enfrentar o problema.
Em primeira análise, é fato que a mobilidade no Brasil, sobretudo nos centros urbanos, tem na presença crescente de veículos automotores particulares – estimulados historicamente pelo Estado – um grande inimigo, inclusive para a economia. Nesse sentido, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, o custo do tempo perdido no trânsito representa perda de centenas de bilhões de reais, equivalente a 4% do valor do Produto Interno Bruto. Logo, é necessário que o Estado, estimule o desenvolvimento de outros modais de transporte, com ênfase em eficiência quantidade, diminuição de emissões de carbono, fomento a métodos alternativos, como bicicletas e veículos compartilhados, e cumprimento dos planos de mobilidade urbana de cada localidade.
Em segunda análise, é inconteste que sobre a sociedade atual ainda paira o antiquado estereótipo de sucesso atrelado à aquisição de automóveis pessoais. Ademais, conforme asseverado pelo filósofo Zygmunt Bauman, a conjuntura vigente elevou o consumo à condição de elemento central na formação da identidade do indivíduo, que precisa comprar para se adequar. Assim, é inaceitável que diante dos graves impactos que a ineficiente mobilidade urbana trás para a saúde, em decorrência do stress e da poluição do meio ambiente, concepções egoístas sejam encampadas pelo Estado, que ainda estimula a aquisição de equipamento já sem perspectiva para o futuro do país.
Infere-se, portanto, a necessidade de uma nova abordagem ao tema. Assim, caberia ao Estado, numa ação coordenada pelos Ministérios da Educação e Transporte, realizar propagandas em televisão, rádio e nas mídias sociais, com objetivo de estimular a sociedade a buscar transportes alternativos e compartilhados, reduzindo o número de automóveis particulares em circulação, bem como desconstruir a necessidade de aquisição de automóveis por status; além disso, destinar recursos para investir no desenvolvimento de modais compartilhados, mais eficientes, menos poluentes e comprometidos com melhora na qualidade de vida da população. Assim, com o devido enfrentamento na essência do problema, a realidade brasileira se aproximará da obra cinematográfica americana.