Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 05/10/2019

Historicamente, o Brasil recebeu um massivo investimento no transporte rodoviário desde a época do então presidente Juscelino Kubitschek. Com isso, o pensamento de uma parcela da população foi moldada para obter um carro para se transportar. Sob o viés filosófico do alemão Jürgen Habermas,  a sociedade é dependente das críticas às suas próprias tradições. Diante disso, o Brasil que tanto investiu em rodovias como principal meio de transporte sofre hoje, por conta do engarrafamento e perda de qualidade de vida, devido ao estresse ocasionado pelo congestionamento. Logo, tal problemática social envolve a população e uma assertiva intervenção governamental.

Primeiramente, é importante destacar a quantidade de carros particulares que ocupam o trânsito. Conforme a Associação Nacional de Transportes Públicos, um ônibus que ocupa o espaço de apenas dois carros na rodovia pode transportar 80 pessoas, enquanto que, em média, 57 carros são usados para transportar esse mesmo contingente, ocupando assim, mais espaço da via pública e atrapalhando a fluidez do trânsito urbano. Tal fato é motivado pela sensação de liberdade que o automóvel particular oferece e a péssima qualidade dos transportes públicos que não possuem conforto, como a falta de ar condicionado e assento para todos os passageiros. Além disso, não é toda cidade que possui ciclovias adequadas para o transporte alternativo de bicicletas que,  além de não poluírem o meio ambiente, fazem bem para a saúde da população.

Por conseguinte, os cidadãos ficam presos no trânsito demasiadas horas em seus veículos e perdem o tempo e qualidade de vida, em que podiam despender nos estudos, no lazer ou com a família e amigos. De acordo com o escritor estadunidense Oscar Wilde, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de uma nação. De maneira análoga, se os engarrafamentos prejudicam a população, é necessário que o povo reivindique seus direitos, tal qual a locomoção fluída, meios de transporte de qualidade e alternativas adequadas de deslocamento.

Portanto, para vencer os desafios da mobilidade urbana no Brasil, urge que o Ministério da Infraestrutura crie, por meio de verbas governamentais, ciclovias bem estruturadas nas cidades brasileiras com iluminação adequada, a fim de proporcionar uma alternativa segura e saudável aos cidadãos e diminuir o tráfego rodoviário. Simultaneamente, que o povo insatisfeito se una, mediante protestos pacíficos, a fim de revindicar transportes públicos de qualidade com ar condicionado, assento para todos e limpeza diária desses transportes. Com eficaz pressão popular, os legisladores formarão leis que  atendam adequadamente os cidadãos. Nessa perspectiva, os desafios da mobilidade urbana no Brasil será um fato deixado no passado e haverá mais ânimo e dignidade para o povo brasileiro.