Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 25/09/2019
Em 1956, Juscelino Kubitchek foi eleito presidente do Brasil com a campanha eleitoral denominada “50 anos em 5”. Esse governo desenvolvimentista exemplifica claramente a forma política de trabalhar com curtos prazos, sendo compatível com a própria agenda eleitoral. A partir disso, é notório o aumento de rodovias ao perpassar distintos governos, que constribuíram para a construção do formato da mobilidade urbana existente hoje, cujas consequências se tornam cada vez mais desafiadoras.
A princípio, pode-se explicitar a relevância da malha rodoviária, isso porque o país inteiro atribui à ela uma alta dependência. Por exemplo, a greve dos caminhoneiros ocorrida em maio de 2018, mobilizou toda a população e obteve atenção, visto que, atingiu o fornecimento de suprimentos, remédios e combustíveis, fazendo com que cidades como Chapecó e Brusque em Santa Catarina decretassem situação de emergência por causa do desabastecimento. Todavia, para além dos prejuízos, obrigou a sociedade a refletir no quanto é refém dos meios de transporte movidos a diesel, gasolina e etanol, uma vez que, pôde-se assistir às multidões nas estações de trens e metrôs – nas poucas cidades onde são opções, enquanto os carros ficaram nas garagens. Assim, revelou-se a precária presença de modais alternativos, como as ciclovias, cujos benefícios abrangem a economia e a sustentabilidade.
Nesses aspectos, o Brasil como um todo, anda na contramão de formas saudáveis de mobilidade. Porém, existe dentro do país um exemplo a ser seguido, a capital paranaense que se preocupa com o planejamento urbano, infraestrutura e consolida sua economia associando-a com o cuidado ao meio ambiente, assim, exibe a qualidade de vida de seus habitantes. Desse modo, Curitiba foi a única cidade latino-americana reconhecida pelo site americano Mother Nature Network (MNN, em português: “rede mãe natureza”), como um lugar fácil e seguro para andar de bicicleta, a qual além de reduzir a poluição, também diminui o estresse e o sedentarismo, promovendo o bem-estar. A MNN ainda destaca a qualidade e a eficiência do transporte coletivo, tornando-o referência internacional para outras cidades.
Ante o exposto, fica claro que para melhoria da mobilidade urbana, faz-se preciso diminuir o uso dos meios individuais. Portanto, cabe às administrações municipais estimularem o uso dos transportes coletivos por meio do passe livre aos estudantes e idosos para garantir maior fluidez no trânsito. Não obstante, é imprescindível o incentivo à diversidade de modais disponíveis, deve-se seguir o exemplo de Curitiba em facilitar o uso da bicicleta, com a construção de ciclovias, opção viável e inteligente para sanar o problema promovendo a saúde. Além disso, o governo federal deve investir nas hidrovias e ferrovias interligando-as ao modal rodoviário, para estrategicamente escoar a produção e levar o desenvolvimento ao território. Poder-se-á, dessa forma, enfrentar os desafios da mobilidade brasileira.