Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 17/09/2019
Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil entre os anos de 1956 e 1961, foi um dos grandes responsáveis pela implantação do rodoviarismo como principal sistema de transporte do país. Todavia, as principais vantagens desse modal, como agilidade e rapidez, foram insuficientes para evitar uma crise na mobilidade urbana. Nesse cenário, o exponencial crescimento da presença de automóveis nas ruas aliado com o baixo investimento público em transportes de massa configuram um panorama desafiador. Portanto, torna-se inevitável a adoção de medidas que visem mitigar, de maneira efetiva, os malefícios desse quadro.
Em um primeiro plano, é indispensável ressaltar que a ascensão do uso de veículos pessoais em estradas, ruas e avenidas gera uma sobrecarga à arcaica infraestrutura rodoviária brasileira. Nesse contexto, é de fundamental importância expor a existência de uma cultura na sociedade civil de preferir a utilização de carros e motos em detrimento do transporte público, o que explica em parte essa questão. Além disso, a carência de ações por parte do Estado para mitigar esse pensamento, associado à ausência da inserção de capitais públicos e privados na manutenção e expansão de vias, fomenta esse problema. Assim,denota-se a premência do encontro de soluções para a reversão dessa nociva conjuntura.
É imprescindível salientar, também, que o supracitado módico investimento governamental na ampliação e em melhorias da qualidade do transporte urbano maximizam as iniquidades advindas dessa crise de mobilidade. O Rio de Janeiro, no sudeste do país, por exemplo, levou mais de 35 anos para construir apenas 58 quilômetros de trilhos metroviários. E, no restante do país, infelizmente, as circunstâncias ratificam essa problemática, por meio de frotas de ônibus sucateadas, trens em péssimo estado de conservação, etc. Esses fatos vão de encontro às políticas de incentivo à utilização massiva de modais coletivos, e demonstram a clara necessidade de um ponto de inflexão nesse cenário.
Dessarte, para solucionar essas adversas questões de locomoção urbana, urge a criação, pelo Ministério da Infraestrutura, em simbiose com os estados, de um plano de recuperação e expansão de ruas, estradas e avenidas, com o objetivo de reduzir a sobrecarga de veículos sobre essas rodovias. Esse plano deve ser feito por meio de acordos que reduzam as dívidas das unidades federativas com a União, em troca do emprego de capital nessas áreas. Outrossim, cabe ao Governo Federal, com recursos próprios, criar campanhas publicitárias na internet que estimulem a população a usufruir de meios locomotivos públicos, com a finalidade de reduzir a taxa de frotas pessoais nas ruas. Assim, haverá meios eficazes para a resolução desses desafios viários.