Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 17/09/2019
As reformas de Pereira Passos que começaram em 1903, no Rio de Janeiro, foram inspirada no modelo feito em Paris no século XIX e buscou adaptar a cidade a chegada de automóveis. Entretanto, atualmente, observa-se obstáculos para a mobilidade urbano no Brasil, o que se deve a fatores como insuficiência de recursos para condução de massa e ações históricas.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o Artigo 5° da Constituição estabelece que todo cidadão possui a liberdade de ir e vir em território nacional. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de transporte eficiente que garanta esse direito à todos os indivíduos. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na falta de investimento em veículos de massa. Para ilustrar esse cenário prejudicial, a carência de infraestrutura para esse meio de locomoção configura-se em redes de metro que não abrangem grandes extensões dos estados, ônibus frequentemente lotados e pouca utilização de linhas hidroviárias. Diante do exposto, percebe-se que a permanência dessa condição é produto de uma gestão inepta que não pensa de forma integrada.
Ademais, o modelo base de locomoção do país representa um entrave para a mobilidade urbana. Esse panorama decorre da preferencia rodoviarista no governo de Jucelino Kubitschek, no qual incentivou excessivamente a industria automobilista em detrimento de outras formas de transporte, como metros e ferrovias. Consequentemente, as políticas atuais que ainda fomentam o uso de veículos individuais e a perpetuação de déficits históricos fazem com que a frota de carros aumente constantemente no Brasil. A prova disso é o dado do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) que mostra um acréscimo de 138% no número de automóveis entre 2002 e 2012%. Assim, com a elevação da escolha populacional de transportes de baixa capacidade, trânsitos cada vez mais caóticos mostram-se presentes.
Tornam-se evidentes, portanto, os elementos que contribuem com o quadro negativo do país. Cabe ao Ministério da Infraestrutura criar um planejamento estratégico, por meio da formulação de políticas e diretrizes nacionais, que viabilize o desenvolvimento de veículos de massa, proporcionando uma infraestrutura portuária, além de uma ampliação da rede de metro com conexão entre os modais de transportes, a fim de dinamizar a mobilidade urbana, reduzir o trânsito e aumentar a qualidade de vida da sociedade. Por fim, os meios de comunicação em parceria com as iniciativas privadas, devem, por meio de propagandas, fomentar a utilização de meios de locomoção alternativos, como bicicletas, com propósito de reduzir a frota de carros e diminuir os engarrafamentos.